Ossufo Momade usa Conselho Nacional para resolver “problema António Muchanga” antes do Congresso

DESTAQUE POLÍTICA
Share this
  • Presidente da Renamo não quer arriscar perda de controlo, mas Muchanga promete lutar
  • Congresso marcado para segundo semestre de 2027

Ossufo Momade prepara a sua saída da presidência da RENAMO e já disse que não se irá recandidatar, mas não parece disposto a deixar o futuro do partido nas mãos dos seus adversários. Com o Congresso no horizonte, embora ainda sem data, a expulsão, semana passada, de António Muchanga, figura ligada à corrente que contesta a actual liderança, abre uma nova frente na disputa pela sucessão. Afastado da corrida, Momade poderá procurar garantir que o seu lugar seja ocupado por alguém da sua confiança para que lhe possa garantir vida fácil. Muchanga, porém, não dá a batalha por perdida e promete recorrer aos tribunais, num confronto que coloca em jogo não apenas o futuro da liderança, mas também a influência que o actual presidente pretende conservar depois de deixar o cargo.

Elísio Nuvunga

António Muchanga já não é, pelo menos formalmente, membro da Renamo desde a semana passada. Por decisão da maioria dos membros do Conselho Nacional, um dos críticos mais persistentes de Momade, deixa de ser, pelo menos, na concepção de Ossufo Momade e seu entourage, uma pedra no sapato. No entanto, Muchanga não só não se considera “peixe” fora da Renamo, como também promete lutar até às últimas consequências para ver restituídos os seus direitos de membro.

A deliberação foi aprovada na terceira sessão ordinária do Conselho Nacional, realizada em Maputo, sob a justificação de alegadas violações dos estatutos do partido e a expulsão foi aprovada por 161 membros do Conselho Nacional, registando-se 13 votos contra e sete abstenções, enquanto 39 membros abandonaram a sessão antes da votação

Segundo o porta-voz da RENAMO, Marcial Macome, a decisão visa garantir o cumprimento das normas internas e impedir a repetição de comportamentos considerados contrários à disciplina partidária. Contudo, o momento em que ocorre confere-lhe um significado político que ultrapassa o processo disciplinar: acontece precisamente quando a sucessão de Momade começa a ganhar centralidade na vida interna da formação.

“Nós cumprimos as regras dessa instituição. E se essa instituição vê que o fulano não está a cumprir a política institucional, reserva-se o direito de expulsar. Foi o que o Conselho Nacional fez na sua III Sessão Ordinária. O entendimento dos conselheiros é que é preciso aplicar medidas para que certos comportamentos não se repitam, e que os membros do partido busquem sempre a coesão, união, e não mais divergências no partido”, disse Marcial Macome”

Segundo o porta-voz, a decisão pretende desencorajar comportamentos considerados contrários às normas internas e promover uma convivência política orientada para a unidade da formação.

A expulsão ocorre numa fase de tensão na RENAMO, marcada por críticas à liderança de Ossufo Momade e por exigências de Congresso para a mudança no comando daquele que um dia foi o principal partido da oposição. Nos últimos meses, António Muchanga juntou-se à ala dos ex-guerrilheiros e assumiu uma posição crítica em relação à actual direcção, defendendo publicamente a saída de Momade da presidência.

Com afastamento, Muchanga pode ficar inelegível no Congresso de 2027

Com mandato válido até Agosto de 2029, Ossufo Momade decidiu ceder à pressão dos seus colegionários para abanadonar o cargo antes do tempo de forma a permitir que o seu sucessor tenha tempo para reorganizar o partido, se fazer conhecer e preparar sua eventual candidatura para o próximo cicclo eleitoral.

Com efeito, Momade, cujos estatutos conferem mandato exclusivo para convocação do Congresso, indicou que o mesmo terá lugar no segundo semestre de 2026, contudo, sem avançar uma data concreta.

“O órgão vai poder decidir quando é que será o congresso, mas será no segundo semestre do próximo ano. Não estamos a falar de 2028, estamos a falar de 2027. Se alguém entender que quer este ano, pode trazer dinheiro, nós podemos realizar em Dezembro. Traga o dinheiro, nós vamos realizar, para escolhermos o presidente que vai concorrer para as próximas eleições”, disse.

Falando no encerramento da sessão do Conselho Nacional, órgão deliberativo entre congressos, reunido em Maputo num contexto de forte contestação interna à sua liderança, o presidente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) apelou ao respeito pelas deliberações do encontro.

Muchanga recorre ao tribunal

Caso a decisão não mude, António Muchanga poderá estar impedido de concorrer ou ter influência na indicação do próximo incumbente no cargo mais desejado da perdiz. Para tentar reverter a decisão, o político assegurou que vai recorrer ao Tribunal Judicial da Cidade de Maputo para contestar a sua expulsão do partido, alegando que a decisão foi tomada sem observância dos procedimentos disciplinares e do direito à defesa.

“O que se segue agora é recurso judicial, tendo em conta que os órgãos do partido são inoperantes, não funcionam”, declarou Muchanga, ao reagir à decisão aprovada quinta-feira, em Maputo, durante a terceira sessão ordinária do Conselho Nacional da Renamo.

O político pretende contestar judicialmente a deliberação que o expulsou da formação política por alegadas violações dos estatutos, sustentando que não foi notificado de qualquer processo disciplinar nem teve oportunidade de apresentar a sua defesa.

“Não me ouviram, não estive presente”, afirmou, considerando que a ausência desses procedimentos compromete a validade da decisão.

Promo������o
Share this

Facebook Comments