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- A família reabilitou a sua casa de Tchumene nas vésperas da sua deportação
O antigo ministro das Finanças, Manuel Chang, já está no convívio familiar na sua residência no bairro de Tchumene, no município da Matola, após a sua deportação, este domingo, colocando fim a cerca de oito anos privado de liberdade. Sem nenhuma surpresa, após aterrar no Aeroporto Internacional de Mavalane foi encaminhado para a sua casa como homem livre. A Procuradoria-Geral da República, que chegou a anunciar a existência de um processo autónomo, não tugiu, nem mugiu, confirmando que Chang não poderá ser julgado novamente em Moçambique. Segundo relatos recolhidos junto de moradores e pessoas próximas da família, a sua casa de Tchumene, onde residia antes de ser detido, beneficiou-se de uma reabilitação nas vésperas da sua libertação.
Evidências
O antigo ministro das Finanças, Manuel Chang, já se encontra em Moçambique, Maputo, depois de ter desembarcado, este domingo, no Aeroporto Internacional de Maputo, proveniente dos Estados Unidos de América (EUA), onde cumpria uma pena de prisão. Chang foi deportado pelas autoridades norte-americanas, através dos serviços de imigração e alfândegas, numa operação realizada em coordenação diplomática com o Estado moçambicano.
A deportação de Manuel Chang ocorre após um longo e complexo processo judicial internacional, marcado por disputas entre diferentes jurisdições sobre o seu destino, nomeadamente entre Moçambique, África do Sul e os Estados Unidos da América, no âmbito do escândalo das dívidas ocultas.
À chegada ao Aeroporto Internacional de Mavalane, Chang foi recebido por familiares próximos. Fontes asseguram que o mesmo terá preferido ir à sua casa particular num dos condomínios mais badalados da Matola, no bairro de Tchumene, no município da Matola, que recentemente beneficiou de uma reabilitação.
Como já havia reportado o Evidências, com o cumprimento de pena nos Estados Unidos, Chang regressa ao País como homem livre, uma vez que, à luz do princípio jurídico de não dupla incriminação, não poderá ser julgado novamente pelos mesmos crimes em outra jurisdição.
De acordo com testemunhos locais, a casa onde Chang deverá permanecer foi recentemente alvo de obras ligeiras de reabilitação, numa aparente preparação para o seu regresso. “Já pintaram a casa e fizeram pequenos arranjos. Não foi uma grande obra, foi mais para dar um novo aspecto”, contou uma fonte, acrescentando que o imóvel esteve durante muito tempo com uso intermitente, sendo frequentado sobretudo por uma das filhas do antigo governante.
Os relatos indicam que a presença da filha no local terá antecedido a chegada de Chang, numa fase em que já se especulava sobre a possibilidade do seu regresso ao País. “Esta saída dele já se esperava”, referiu um interlocutor, sugerindo que a família acompanhava com expectativa o desfecho do processo que culminou com a sua deportação.
Com o seu regresso e instalação na residência em Tchumene, abre-se uma nova fase na vida do antigo governante, que, segundo fontes próximas, procura agora retomar a convivência familiar e restabelecer canais de comunicação com pessoas do seu círculo social, após anos marcados por processos judiciais e reclusão.
Família de Manuel Chang sem visto para os EUA e dividida quanto ao seu regresso a Moçambique
A família do antigo ministro das Finanças, Manuel Chang, enfrentou várias limitações durante o período da sua detenção no estrangeiro, incluindo a impossibilidade de o visitar nos Estados Unidos da América, devido à recusa de vistos.
Segundo relatos de pessoas próximas, os filhos de Chang não conseguiram autorização para viajar até aos EUA, o que dificultou o contacto directo com o pai durante uma fase considerada crítica. A situação terá agravado o distanciamento familiar, já que as visitas presenciais nunca chegaram a acontecer naquele país, como vinham acontecendo na África do Sul.
Para além das restrições de viagem, o regresso de Chang a Moçambique não reuniu consenso no seio familiar, uma vez que uma parte da família acredita que Chang foi traído pelos seus camaradas de trincheira e abandonado à própria sorte.
De acordo com as mesmas fontes, uma parte dos filhos mostravam-se contrários à sua vinda para o País, preferindo que o antigo governante permanecesse no exterior, onde acreditavam existir melhores condições e maior previsibilidade quanto ao seu futuro.
Portugal chegou a ser apontado como uma possível alternativa, numa altura em que se equacionavam diferentes cenários para o destino de Chang. Ainda assim, a decisão final acabou por contrariar parte da família, prevalecendo a vontade do próprio em regressar a Moçambique.
Com a sua chegada e instalação na residência familiar na cidade da Matola, o antigo ministro entra agora numa nova etapa, marcada não só pelo reencontro com o País, mas também por desafios no plano familiar, num contexto ainda influenciado pelos efeitos do longo processo judicial internacional.
Inicialmente condenado a 102 meses de prisão, o tempo efectivo de reclusão nos Estados Unidos foi significativamente reduzido pelo Federal Bureau of Prisons. A revisão teve em conta o período de detenção preventiva cumprido na África do Sul e nos Estados Unidos, bem como reduções por bom comportamento.
O caso em que Chang esteve envolvido remonta ao esquema das dívidas ocultas, que expôs um sistema de endividamento secreto avaliado em mais de dois mil milhões de dólares, com forte impacto na economia moçambicana.
A sua detenção, em 2018, desencadeou uma série de desenvolvimentos judiciais e políticos, influenciando a actuação da Procuradoria-Geral (PGR) para “acelerar” as investigações que envolveram o ex-ministro das Finanças.



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