Banco Central e gasolineiras trocam acusações sobre a crise de combustíveis

DESTAQUE ECONOMIA
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O debate em torno do desabastecimento de combustíveis e das longas filas nas bombas de abastecimento ganhou novos contornos com a troca pública de acusações entre o regulador financeiro e os operadores do sector privado. O Governador do Banco de Moçambique atribuiu a crise à fragilidade financeira das empresas distribuidoras, rejeitando a tese de escassez de moeda estrangeira no sistema bancário comercial.

Segundo a autoridade bancária, as instituições financeiras dispõem de liquidez, mas exigem garantias que as operadoras, por falta de fundos e por insolvência, não conseguem apresentar. De forma categórica, o Governador afirmou que “as gasolineiras estão falidas e nem sequer meticais têm”.

Por outro lado, o sector privado refutou frontalmente as declarações do banco central, contra-argumentando que o problema está directamente ligado à falta de moeda estrangeira e a falhas sistémicas na gestão regulatória do Estado. Os representantes das gasolineiras explicam que o custo de importação no mercado internacional sofreu um agravamento brutal de 140% em apenas dois meses, o que reduziu drasticamente o tempo de cobertura das garantias bancárias disponíveis.

De acordo com fontes do sector, as garantias que cobriam um mês agora cobrem apenas 12 dias e as gasolineiras ficam bloqueadas com as garantias que têm porque no mercado nacional simplesmente não há divisas. As distribuidoras queixam-se ainda do incumprimento da legislação que obriga à revisão mensal do custo base dos combustíveis de acordo com as flutuações internacionais.

Acusam o Executivo de impor tabelas de preços artificiais e de reter os subsídios devidos, estrangulando o fluxo de caixa das empresas. Diante do risco iminente de colapso no fornecimento público, o Ministério dos Recursos Minerais e Energia já tem agendadas duas novas subidas impositivas de preços para os meses de Junho e Julho, com o Governo a alertar que a próxima actualização será a mais “drástica” de sempre, de modo a diluir o tecto de aumento exigido pelos operadores para estancar as perdas acumuladas.

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