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O investimento canalizado pela União Europeia (UE) para Moçambique fixou-se na casa dos 81 milhões de euros ( cerca de 5,67 mil milhões de meticais) entre os anos de 2021 e 2025. O balanço foi tornado público pela Agência para a Promoção de Investimentos e Exportações (APIEX) durante o 2.º Fórum de Negócios Moçambique-União Europeia (Global Gateway), uma plataforma estratégica de diálogo que decorre em Maputo. Perante uma plateia composta por governantes, empresários e financiadores internacionais, a agência de promoção defendeu que, apesar de o volume ser significativo, existe uma margem substancial para alargar a pegada do capital europeu nos sectores não extractivos da economia nacional.
Os dados estatísticos apresentados pela instituição ilustram a disparidade que ainda persiste entre o volume global de IDE captado pelo país e a quota-parte assegurada pelos parceiros comunitários europeus. O assessor da direcção da APIEX explicitou este cenário macroeconómico ao contextualizar os fluxos financeiros que deram entrada em Moçambique no quinquénio transacto, fazendo questão de partilhar os objectivos de crescimento traçados pelo Executivo.
“O que aconteceu nos últimos cinco anos? Foram aprovados cerca de 15,5 mil milhões de euros em investimentos, dos quais temos a União Europeia com cerca de 81 milhões de euros. Também nós, tal como a União Europeia, queremos que este nível de investimento possa aumentar, aproveitando os mercados preferenciais”, afirmou António Macamo.
Um detalhe técnico relevante avançado pelo responsável prende-se com o facto de esta contabilidade da APIEX excluir de forma deliberada os megaprojectos de pesquisa e exploração de petróleo, gás natural e recursos minerais. Trata-se de uma opção estatística que visa dar visibilidade aos investimentos estruturantes na economia real, nomeadamente na agricultura, pescas, aquacultura, logística e novas tecnologias. Na visão da agência, a localização geográfica do país na costa do Índico e os seus corredores logísticos transfronteiriços constituem activos preferenciais para a rota da industrialização regional.
“Temos recursos minerais, energéticos e hídricos, além de corredores de desenvolvimento que permitem ligar os portos aos mercados da região. Queremos que estes recursos sejam transformados em oportunidades concretas de investimento e desenvolvimento”, sublinhou Macamo, instando à transformação local de matérias-primas.
A par do roteiro de industrialização, o fórum serviu de palco para a apresentação de projectos de desenvolvimento territorial no norte de Moçambique. O coordenador do Projecto do Corredor de Desenvolvimento Integrado Pemba–Lichinga, Tunísio Camba, desafiou o sector privado europeu a injectar capital na zona especial de processamento agro-industrial. A iniciativa, que foi capitalizada em 2022 com uma subvenção de mais de 2,8 mil milhões de meticais do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), necessita de mobilizar mais de 6 mil milhões de meticais em investimento privado para viabilizar indústrias de processamento de soja, macadâmia e batata, estimando-se a criação de 90 mil postos de trabalho até ao ano de 2027.



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