Governo reconhece falhas no agronegócio e quer usar tecnologia e reformas para atrair capital

DESTAQUE ECONOMIA
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Governo reconhece  que  a incapacidade de transformar o vasto potencial agrário e marinho em resultados financeiros e garantias sólidas para a banca continua a manter a agricultura moçambicana refém da subsidência e dependente do exterior. No encerramento do fórum BFSI Mozambique 2026, o Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas assumiu que a chave para atrair capital e bancabilizar o sector passa pela digitalização da produção e pelo ajuste da Lei de Terras, visando conferir segurança jurídica e rastreabilidade aos negócios agrícolas.

Em representação do ministro da tutela, Jaime Chissico alertou para a urgência de alterar o modelo de exploração dos recursos naturais do país, que ainda não geram o retorno económico necessário para a economia nacional.

“O desafio principal é transformar esses recursos naturais em riqueza, emprego, segurança alimentar e, acima de tudo, investimento.A prioridade principal do Governo é produzir alimentos,”disse

Para o Executivo, a viabilidade financeira e o acesso ao crédito bancário dependem da capacidade de fornecer dados fiéis sobre o campo, um obstáculo histórico enfrentado pelas instituições financeiras na concessão de financiamento ao agronegócio. A tecnologia surge, assim, como a ferramenta crucial para auditoria e controlo das explorações.

“Com a digitalização, teremos mais produção, menos perdas e, acima de tudo, mais competitividade.Os bancos precisam de confiança. Querem ver boa informação, transparência, sustentabilidade e perceber de onde sai a produção,”afirmou

Além da vertente tecnológica, o Governo aponta a reforma legislativa como pilar para atrair o sector privado e dinamizar os terrenos agricultáveis, assegurando que o foco normativo passará a ser a rentabilidade e o aproveitamento efectivo do solo.

“Esta Lei de Terras visa, essencialmente, trazer a terra para a produção. Mais de 98% da nossa força de produção é constituída por pequenos produtores,” revelou.

O plano governamental reconhece que a verdadeira escala comercial do sector só será atingida quando a massa produtiva do país for formalmente conectada aos grandes mercados e às cadeias de abastecimento industrial.

 

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