Salomão Muchanga diz que assassinato do Bispo Osório Afonso expõe falência moral do Estado

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  • Nova Democracia levanta a sua voz na celebração dos seus sete anos

O presidente da Nova Democracia, Salomão Muchanga, classificou o assassinato do Bispo Osório Afonso como um crime hediondo e uma grave afronta à dignidade humana, alertando para o crescente clima de violência e intolerância que, segundo afirma, tem vindo a marcar a sociedade moçambicana.

Evidências

Num posicionamento público divulgado após a confirmação da morte do líder religioso, Muchanga descreveu o homicídio como um “verdadeiro vitupério” contra os valores fundamentais da humanidade, defendendo que o acto representa não apenas um atentado contra uma pessoa, mas também contra princípios universais como o respeito pela vida, a paz e a convivência harmoniosa.

“A vida é o primeiro e mais importante dos direitos. Sem ela, todos os outros direitos perdem significado. O assassinato do Bispo Osório Afonso constitui uma afronta à consciência colectiva e uma mancha dolorosa na história da nossa sociedade”, afirmou.

O dirigente político manifestou consternação pela morte do prelado, sublinhando que a violência assume contornos ainda mais preocupantes quando atinge figuras religiosas que dedicam as suas vidas ao serviço espiritual, à promoção da paz e ao apoio das comunidades.

Segundo Muchanga, a tragédia expõe um fenómeno mais amplo de degradação social e moral que, no seu entender, se vem agravando em Moçambique ao longo dos últimos anos.

“Infelizmente, Moçambique tem-se tornado palco de violência, homicídios estranhos e crimes bárbaros. A intolerância parece ter endurecido as consciências e corroído valores que outrora sustentavam a convivência social”, lamentou.

O presidente da Nova Democracia considera que a cultura do diálogo tem sido progressivamente substituída pela hostilidade, criando um ambiente em que actos violentos são recebidos com crescente normalidade e resignação por parte da sociedade.

Na sua análise, uma das causas desta situação reside na fragilidade das instituições responsáveis pela administração da justiça, pela segurança pública e pela formação cívica dos cidadãos. Para Muchanga, a percepção de impunidade contribui para o aumento da criminalidade e para a perda de confiança dos moçambicanos no Estado.

“Quando crimes graves não encontram respostas eficazes, cria-se a sensação de que a vida humana deixou de ser devidamente protegida. A incapacidade de responsabilizar os autores de actos violentos gera medo, insegurança e descrença na justiça”, sustentou.

O político advertiu ainda que a banalização da violência constitui uma das maiores ameaças à estabilidade social, defendendo que nenhuma nação pode prosperar quando os seus cidadãos vivem sob o receio permanente da insegurança.

Perante este cenário, Muchanga apelou a uma profunda reconstrução moral da sociedade moçambicana, baseada na valorização da vida humana, no fortalecimento das instituições e na promoção de valores como a paz, a solidariedade, a reconciliação e a justiça. Defendeu igualmente que os órgãos de administração da justiça e de manutenção da ordem devem assumir um papel mais firme no combate à impunidade e na protecção dos cidadãos.

“Uma sociedade que não consegue proteger os seus filhos corre o risco de perder a sua própria humanidade”, advertiu.

No final da sua mensagem, Salomão Muchanga apresentou condolências à família do Bispo Osório Afonso, aos amigos, colaboradores e fiéis, particularmente à comunidade da Igreja Católica Apostólica Romana, manifestando votos de paz para a alma do malogrado líder religioso.

No âmbito das celebrações dos sete anos da Nova Democracia, o presidente do partido, Salomão Muchanga, ergueu a voz para condenar os recentes episódios de violência contra cidadãos moçambicanos na África do Sul, defendendo uma resposta firme do Governo de Moçambique e dos países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). O político afirmou que Maputo não pode continuar a adoptar uma postura passiva perante actos de xenofobia e acusou as autoridades sul-africanas de não tratarem os moçambicanos com o respeito e a dignidade que merecem.

“Os países africanos, em particular a nossa SADC, terão de se posicionar firmemente para condenar estes episódios xenófobos que estamos a presenciar no país vizinho”, declarou num discurso ovacionado pelos membros presentes e não só.

Muchanga aproveitou a ocasião para defender a implementação de políticas públicas inclusivas capazes de travar a saída de jovens moçambicanos em busca de melhores condições de vida no exterior. Segundo o líder da Nova Democracia, a criação de emprego, o acesso à educação e a disponibilização de habitação social devem constituir prioridades nacionais, de modo a oferecer perspectivas concretas à juventude. Para o político, a melhor forma de proteger os moçambicanos da vulnerabilidade e da discriminação no estrangeiro passa por criar oportunidades económicas dentro do próprio país e promover um desenvolvimento mais equilibrado e inclusivo.

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