FUNDEC alerta para que emprego em Moçambique continua marcado por baixa produtividade com 28,01 pontos

DESTAQUE ECONOMIA
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Moçambique registou um Índice de Emprego e Productividade (IEP) de apenas 28,01 pintos no primeiro trimestre de 2026, um resultado que reflecte a predominância de empregos de baixa produtividade e reduzido valor económico. O alerta foi lançado esta quinta-feira (23), em Maputo, pelo presidente da FUNDEC, Agostinho Vuma, durante o lançamento da primeira edição do índice.

Segundo Agostinho Vuma, apesar dos avanços económicos registados nos últimos anos, o país continua sem conseguir transformar o crescimento económico em emprego produtivo. O dirigente explicou que o mercado de trabalho permanece caracterizado por elevados níveis de informalidade, baixa produtividade, reduzida absorção de mão-de-obra qualificada e forte concentração em actividades de baixo valor acrescentado.

“Este resultado deve ser interpretado como um importante sinal de alerta. Significa que continuamos presos a um modelo económico onde ainda predominam empregos de baixa produtividade e reduzido valor económico.”

Para a FUNDEC, o Índice de Emprego e Produtividade surge precisamente para medir a capacidade da economia nacional em criar empregos formais, produtivos e sustentáveis, capazes de melhorar a qualidade de vida das famílias. Os primeiros resultados mostram, contudo, que o país continua distante desse objectivo.

Agostinho Vuma afirmou que o desafio de Moçambique já não consiste apenas em aumentar o número de postos de trabalho, mas em criar empregos de qualidade, capazes de gerar rendimento, inovação, competitividade e esperança: “Sem produtividade não existe aumento sustentável dos salários, nem competitividade, nem desenvolvimento”, defendeu.

O relatório apresentado pela FUNDEC identifica sete desafios estruturais que condicionam o mercado laboral moçambicano e aponta como prioridades o aumento da produtividade, a aceleração da formalização da economia, a qualificação da força de trabalho, a promoção da inovação empresarial, o fortalecimento do ambiente de negócios, a dinamização de sectores intensivos em emprego e a promoção de um crescimento inclusivo.

Durante a apresentação, Vuma defendeu que o emprego deve ser encarado como um factor de estabilidade social e não apenas como um indicador económico. Na sua visão, a incapacidade de criar oportunidades para a juventude aumenta os riscos de exclusão social, criminalidade, violência e instabilidade, razão pela qual investir na criação de empregos produtivos significa também investir na paz e no futuro do país.

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