As faces partidárias

OPINIÃO

Dionildo Tamele

Nos últimos tempos temos visto uma outra forma de se fazer política dentro dos partidos políticos moçambicanos, se antes era notório encontrar todo um debate em torno da disciplina política, nos últimos tempos pode-se verificar esta situação apenas como característica da Renamo, dado que emergiu recentemente envolvendo o edil de Quelimane e o partido em torno da problemática de comunicação. A Frelimo registou também um evento inusitado envolvendo o líder do partido num passado não muito distante com o filho do primeiro presidente da República Popular de Moçambique.

À luz desta mera observação, no presente artigo, nos propomos, de certa forma, a analisar este actual cenário que está a caracterizar a situação política, mas numa perspectiva partidária, na perspectiva de renovar a sua governação nas diversas autarquias até arrancar algumas que estão sob alçada das autarquias da oposição, o que de certa modo é algo muito errado para toda uma geografia política partidária e democrático.

As próximas eleições autárquicas reservam um novo figurino político que a sociedade moçambicana tem estado, de certa forma, a desenhar diante do cenário político que se verifica partindo de um trabalho que tem sido levado a cabo pelas forças políticas com assento no parlamento, não se esquecendo das forças políticas sem assento no parlamento. É notório o trabalho que a nova democracia tem exercido em termos da propaganda política, a Frelimo marca o seu nome na sociedade, partindo de um processo eleitoral que de democrático não tem nada, mas obedece uma lógica autoritária, o exemplo é do processo eleitoral que está a envolver as organizações da Organização da Juventude de Moçambique que constituem o braço forte da Frelimo, todavia, com os jovens, a Organização da Mulher Moçambicana, associado a diversas organizações que cuja pretensão é de facto construir uma máquina na perspectiva de poder para as próximas eleições.

A Renamo está mergulhada numa crise sem precedente, desde a morte do seu líder mor, onde tem perdido o seu eleitorado a favor da Frelimo e algumas vezes pelo processo de abstenção. Mas a situação mais gritante está relacionada com a situação mais recente que envolve a estrutura do partido com um dos seus edil mais carismático, não há dúvida que esta situação beneficia o partido no poder, que já tinha mais possibilidades de ganhar as eleições com uma margem muito significativa, mas com esta situação a sua margem de erro de não conseguir ter uma vitória significativa reduzia não pelo mérito, mas pela incompetência da própria oposição que, além de estar desnorteada, não tem perspectiva muito clara da compreensão da real dimensão do poder de forma profunda da dimensão filosófica ou se preferir diante de uma dimensão política.

O MDM está numa situação que além de frustrar o partido está a frustrar os membros, no sentido de que a estrutura de partido depois da morte do seu líder não está a conseguir construir um argumento que possa atiçar aos eleitores na perspectiva de fazer face a dinâmica mais consistente desta organização política em termos de reestruturar o partido, quiçá a sociedade, até porque os partidos são partes integrantes deste processo cuja pretensão é organizar aquilo que o partido que esteja a deter não consiga fazer, mas isso não se verifica na realidade política moçambicana, pelo contrário, apenas mergulha-se cada vez mais numa situação que coloca além daquilo que era esperado nas eleições primárias a quando da fundação do partido.