Finalmente, sacrifica-se a incompetência e encobre-se a negligência

DESTAQUE EDITORIAL

Caiu o ministro de transportes e comunicações, e em tabela foi-se também a vice-ministra, Manuela Ribeiro, vítima do mau chefe. É, enfim, a queda do ministro mais incompetente do Governo de Nyusi, que não deixou legado nos dois anos e seis meses que esteve à frente dos transportes e comunicações. Em alguns sectores aventam-se a possibilidade de ter sido nomeado pelo facto de ser conterrâneo de Nyusi, preterindo-se as competências, o que não seria qualquer novidade.

Em paralelo, Nyusi tem feito vista grossa a negligência de Carmelita Namashulua, que viu seu plano de influenciar os tradicionais “opinion leaders”, que pululam nas redes sociais e nas televisões como mensageiros da elite preocupada em formatar a opinião pública, enquanto desfila incompetência nos sectores que dirigem.

Perspicaz, Namashulua exibiu os supostos culpados pelas suas gafes que vieram a expor a negligência de uma governante em busca implacável de se isentar de responsabilidades, uma estratégia que nunca foi funcional, mas tem lhe valido o suporte dentro do partido. Lembre-se que Machatine teria optado por aquela via, mas caiu.

A mesma sorte acompanhou Janfar Abdulai, cuja narrativa de que é o ministro “incompetente” é consensual. Desde que assumiu a pasta, as direcções daquela instituição só conheceram piores dias. Hoje, o INATRO não emite cartas de condução, não emite matrícula; no INCM, as telefonias movéis não dão a mínima à legislação (sem falar da qualidade dos serviços); o serviço de transporte nunca foi tão caótico enquanto estavam parqueados novos autocarros que poderiam aliviar o sofrimento; sem falar das empresas (e são várias) tuteladas por este Ministério que estão em contínua queda livre. São vários os desafios que nunca conheceram qualquer visão do ministro que teve a sorte de ficar mais de um no cargo, ajustando os serviços de transporte, enquanto a qualidade agastava a todos. Os exemplos são vários e a lista não cabe neste editorial. Até aqui não se sabe se a exoneração é porque os efeitos da incompetência chegaram na onda vermelha ou é mesmo para distrair as atenções que se encontram voltadas a ministra que será lembrada por expor a nudez da educação.

Para consolar-nos, Nyusi foi buscar um homem conhecido por liderar mudanças, Mateus Magala, que há bem pouco tempo foi emprestado, em 2018, ao Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) como Vice-presidente de Serviços Institucionais e Recursos Humanos, depois que foi nomeado, em 2016, PCA da EDM, onde promoveu transformação.

“Graças ao recrutamento de pessoal melhor qualificado e recompensado, as receitas da EDM passaram de 150 milhões USD para 500 milhões USD e a previsão das mesmas aponta para um valor de 1000 milhões USD em 2020. Foi aclamado pelo seu trabalho em EDM, incluindo o prémio de Personalidade do Ano de 2017 em Moçambique, pelo Blue Bird Club, o Prémio de Excelência African Leadership Business de 2016 e o Outstanding Contribution for Power, 2017/2018, pelo African Utility Week Industry Awards”, lia-se no comunicado da BAD, que pedia Magala para novas funções.

Enquanto aplaudimos a exoneração de ministro que sai sem legado, um acto que pecou por penalizar a vice-ministra, a sociedade continua aguardando com ansiedade o destino da ministra da educação.

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