As autoridades da província de Cabo Delgado manifestaram grande preocupação devido ao aumento dos casos de Uniões Prematuras. Só nos primeiros três meses do corrente ano, a província registou 108 casos, por sinal um aumento de 40 casos quando comparado com o igual período do ano passado. Visando reduzir os elevados índices das uniões prematuros ao nível daquela província, os activistas sociais defendem que o Governo e as organizações que advogam pelo direito das mulheres devem ser mais activos e apostar em acções para resgatar as raparigas que estão nas uniões prematuras.
Moçambique ocupa actualmente a 10ª posição no que diz respeito a prevalência mais elevada de uniões prematuras, uma vez cerca de 14% das mulheres com idades compreendidas entre 20 e 24 anos casaram antes dos 14 anos e 48% antes dos 18 anos de idade.
A província de Cabo Delgado faz parte da lista das províncias com mais casos de uniões prematuras, sendo que, segundo as autoridades governamentais, em comparação com o primeiro trimestre de 2022 houve um aumento de 40 casos nos primeiros meses do corrente ano, facto que preocupa sobremaneira o Governo da província de Cabo Delgado.
De acordo com o Governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, que falava à margem do workshop organizado pelo Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF), na cidade de Pemba, os ataques terroristas colocaram muitas adolescentes em situação de vulnerabilidade expondo-as à casamentos prematuros, gravidezes precoces, trabalho infantil e recrutamento para as fileiras terroristas.
Visando reduzir os índices dos casamentos, Tauabo apelou o redobramento de esforços que asseguram maior coordenação entre as instituições do Governo, parceiros, lideranças comunitárias e organizações de sociedade civil.
Activistas pedem mais acções para reduzir casamentos prematuros
Álvaro Miguel, acadêmico e activista social na província de Cabo Delgado, defendeu que o Governo e as organizações da sociedade civil que advogam pelos direitos humanos das mulheres devem ser mais activos para mudar o actual cenário dos casamentos prematuros na província de Cabo Delgado.
“Antes da eclosão do terrorismo a província de Cabo Delgado registava números alarmantes no que diz respeito aos casamentos prematuros e actualmente a situação é deveras preocupante. Em Pemba os índices de casamentos prematuros são menores, mas nos distritos as uniões prematuras já foram legalizadas. Acho que o Governo e as organizações da sociedade civil devem ser mais activos para mudar este triste cenário. As uniões prematuras fazem parte do rol dos factores que contribuem para o abandono escolar da rapariga. Todos somos chamados a contribuir com mais acções para acabar com essas práticas nocivas“, disse Miguel.
Por sua vez, Melita Andrade mostrou-se preocupado com aumento de uniões prematuras entre crianças deslocadas pelo terrorismo na província de Cabo Delgado e apelou as organizações humanitárias para apostarem no resgate as raparigas.
“ A população deve ganhar coragem e denunciar os casos de uniões prematuras. E as organizações da sociedade civil devem apostar em acções de resgate das raparigas que viram os seus direitos violados. É certo que em Moçambique ainda temos poucos centros de acolhimento para raparigas que foram resgatadas dos casamentos prematuros. Por sua vez, o Governo deve criar condições para dar um novo lar as mulheres que no grosso das vezes são rejeitadas pelas famílias”.

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