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Numa altura em que o país assiste uma rápida expansão da cidadania digital, marcada pelas profundas transformações tecnológicas e pelas mudanças nos hábitos de consumo de informação, o Director do Instituto para Democracia Multipartidária (IMD), Hermenegildo Mulhovo, alertou que “sem jornalismo sério perde-se a capacidade de escrutínio público de combate à corrupção”.
De acordo com o Director do Instituto para Democracia Multipartidária (IMD), a transformação digital na forma como a informação é produzidas, distribuída e consumida trouxe vantagens intangíveis, uma vez que o debate público desloca-se cada vez mais para as plataformas digitais, onde o acesso à informação tornou-se mais rápido, massivo e imediato.
Não obstante as vantagens da digitalização, Hermenegildo Mulhovo observa que poucos se preocupam suficientemente com a veracidade, profundidade e qualidade de conteúdos divulgados, alertando que o grande perigo é audiência se tornar menos exigente em relação a qualidade de informação.
“O imediatismo excessivo a disseminação de desinformação, a superficialidade analítica e a erosão gradual dos princípios fundamentais do jornalismo profissional tais como a investigação, a preocupação pelo rigor, evidências, verificação e a busca da verdade. O grande perigo é que gradualmente a audiência também se torna menos exigente em relação à qualidade de informação que consome. Muitas vezes privilegia essa rapidez em detrimento da credibilidade. O consumo rápido de notícias curtas e fragmentadas tenta reduzir o espaço para análise profunda e jornalismo investigativo”, referiu Mulhovo.
O jornalismo, segundo Hermenegildo Mulhovo, continua a desempenhar uma função absolutamente essencial no reforço da democracia, por isso, alerta que sem a seriedade dos media perde-se a capacidade de fiscalização e promoção da transparência.
“Sem jornalismo sério perde-se a capacidade de escrutínio público de combate à corrupção, fiscalização do poder e promoção da transparência, que são esses valores que nós como as organizações de Estado Civil sempre tentamos defendê-los”.
Relativamente a sustentabilidade dos media, por sinal tema da conferência, organizada em parceria com o Jornal Evidenciais, O Director do IMD destacou que os órgãos de comunicação assim como as organizações da sociedade civil enfrentam pressões de sustentabilidade financeira, mudanças nos modelos tradicionais de financiamento, concorrência das plataformas digitais e a necessidade de manter a relevância social num ambiente altamente acelerado e fragmentado, daí que defende que os dois sectores precisam reinventar-se.
“Reinventar-se não significa abandonar princípios de bom jornalismo. Pelo contrário, significa combinar os valores tradicionais do jornalismo sério, tais como o rigor, a ética, a investigação, a verificação, com as oportunidades oferecidas pela inovação tecnológica e pelas plataformas digitais. Significa investir em transição digital equilibrada, novos formatos multimídia, jornalismo de dados, inteligência artificial, o fact checking, modelos de assinatura digital, monetização de conteúdos e tantos outros”, rematou.



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