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- Efeitos do pagamento antecipado de dívida de 700 milhões de dólares ao FMI
Os constrangimentos no acesso às divisas continuam a sufocar o ambiente de negócios em Moçambique, afectando a capacidade de produção, importação e investimento das empresas, denunciou o presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Álvaro Massingue, numa altura em que economistas e estudos associam, tal como reportou o Evidências na sua última edição, o agravamento da crise cambial ao pagamento antecipado de cerca de 700 milhões de dólares da dívida do Estado moçambicano ao Fundo Monetário Internacional (FMI), que aumentou a pressão sobre a disponibilidade de moeda estrangeira no mercado nacional.
Evidências
Falando durante a cerimónia de lançamento da Conferência Anual do Sector Privado (CASP) 2026, que decorrerá sob o lema “Produzir, Transformar e Competir, construindo assim uma economia forte e resiliente”, entre os dias 15 e 16 de Julho, em Maputo, Massingue descreveu o actual contexto económico como particularmente desafiante, marcado por pressões internas e externas, choques climáticos recorrentes, dificuldades no acesso a combustíveis e limitações estruturais persistentes no ambiente de negócios.
“Chegamos a este lançamento num contexto económico desafiante, marcado por pressões internas e externas, por choques climáticos recorrentes, por constrangimentos no acesso a divisas e combustíveis, e por limitações estruturais no ambiente de negócios”, afirmou.
O dirigente acrescentou que as intempéries agravaram ainda mais as dificuldades enfrentadas pelas empresas, sobretudo ao nível da produção e logística.
“As cheias inviabilizaram a produção, as fábricas ficaram inundadas, os armazéns também ficaram no mesmo estado. Tudo isto tem criado constrangimentos sérios. São problemas que o país tem de resolver de forma consciente”, sublinhou.
Apesar do cenário adverso, Massingue defendeu maior coordenação entre o Governo, o sector privado e os parceiros de desenvolvimento, considerando que os desafios actuais podem ser transformados em oportunidades de crescimento económico e reforço da competitividade nacional.
Segundo explicou, a 21.ª edição da CASP pretende concentrar-se no aumento da produção nacional, sobretudo nos sectores da agricultura e agronegócio, como base para impulsionar a industrialização e a geração de valor acrescentado.
“Produzir mais e melhor, transformar essa produção em valor acrescentado através da industrialização e competir com eficiência nos mercados regionais e globais” são, segundo Massingue, os pilares centrais da edição deste ano.
O presidente da CTA destacou ainda que a conferência será um espaço estratégico para mobilização de investimentos e fortalecimento de parcerias económicas, prevendo a participação de mais de dois mil participantes presenciais, cinco mil virtuais, cerca de 50 expositores e mais de 40 oradores.
Durante o evento, deverão igualmente ser apresentados projectos de investimento avaliados em mais de 1,9 mil milhões de dólares.
“Uma luz verde no fundo do túnel”?
Por sua vez, a directora executiva da CTA, Teresa Muenda, reconheceu que a economia moçambicana iniciou 2026 sob forte pressão, após um desempenho negativo registado em 2025.
Segundo Muenda, os choques climáticos, a escassez de divisas e as alterações no financiamento internacional afectaram significativamente a actividade económica e os investimentos.
“A situação da escassez de divisas condicionou as importações e influenciou os custos de produção e a produtividade, trazendo impacto para os investimentos”, afirmou.
Ainda assim, Teresa Muenda considera existir “uma luz verde no fundo do túnel”, apontando sinais de recuperação económica e um reforço do compromisso governamental com reformas destinadas à melhoria do ambiente de negócios e ao aumento da produtividade.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), prevê-se para 2026 um crescimento económico moderado na ordem de 3%.
Na última edição, o Jornal Evidências reportou que, cerca de um mês após o pagamento ao FMI, a crise de divisas agravou-se, estando neste momento o país com um backlog (pagamentos pendentes por falta de moeda estrangeira) de entre 1 e 1,2 biliões de dólares, o que está a comprometer a importação de bens essenciais e matérias primas. A crise de combustíveis, caracterizada por longas filas nos postos de abastecimento, escassez de diesel e gasolina e perturbações no sector dos transportes, afectando a circulação de pessoas e bens, é a face mais visível da falta de dividas para emissão das tão necessárias garantias bancárias.
O pagamento antecipado da dívida ao FMI afectou a tesouraria e a capacidade financeira dos empresários nacionais, sobretudo daqueles dependentes de divisas para importação de bens e serviços.



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