Membros da RENAMO submetem denúncia à PGR contra Ossufo Momade

DESTAQUE POLÍTICA
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Um grupo de membros e simpatizantes da RENAMO submeteu, esta segunda-feira, uma denúncia formal à Procuradoria-Geral da República, visando impugnar a liderança de Ossufo Momade, a quem acusam de falta de transparência na gestão dos fundos públicos atribuídos ao partido.

“Estamos aqui no tribunal para apresentarmos aquilo que são as recolhas das assinaturas, para sustentar o mal desempenho do partido, principalmente da pessoa do presidente Ossufo Momade. Portanto, sabemos que há dinheiro do itinerário público, das cotizações do membro, há dinheiro de doações que vêm de fora  que apoiam o partido, mas esses dinheiros nunca sequer sabemos para onde vai ou quais são os fins. Praticamente não sabemos quais são as contas”, disse Edgar Silva em representante dos queixosos.

O documento, suportado por cerca de 18 mil assinaturas, denuncia alegadas irregularidades financeiras e uma gestão considerada danosa dos recursos do partido, incluindo os fundos recebidos para a participação nas últimas eleições gerais.

“Não há dinheiro para realizar as reuniões básicas, temos duas reuniões estatutárias mas nunca sequer se realizam e pedimos o balancete dos últimos 24 meses, incluindo aquele dinheiro que viria a sustentar a nossa campanha eleitoral. Nós não sabemos onde é que foram, rondavam aí uns 42 milhões (de Meticais), 21 (milhões) para a presidência e os outros para o partido. Não haviam meios, nem meios circulantes, não se alugaram avionetas nem nada toda campanha foi feita por 3 carros, (num intervalo de) 10 dias”, revelou.

Os denunciantes exigem que Ossufo Momade apresente os relatórios financeiros referentes aos últimos dois anos, alegando não existir clareza sobre o destino dado aos recursos canalizados à formação política.

Segundo o coordenador nacional da comissão de gestão da RENAMO, Edgar Silva, a direcção do partido tem conduzido a gestão financeira sem prestação de contas aos membros e aos órgãos internos, situação que, afirma, levanta suspeitas sobre o uso dos fundos públicos.

No documento submetido à Procuradoria-Geral da República, os signatários alegam ainda que a liderança do partido tem ignorado os mecanismos internos de fiscalização e transparência, exigindo uma intervenção das autoridades competentes para o esclarecimento do caso.

Refira-se que, a RENAMO atravessa, nos últimos anos, uma profunda crise interna marcada por disputas de liderança, acusações de centralização do poder e contestação à condução política de Ossufo Momade. Desde que assumiu a presidência do partido, após a morte de Afonso Dhlakama, Momade tem enfrentado sucessivas críticas de membros e antigos guerrilheiros, que o acusam de enfraquecer os mecanismos internos de diálogo e transparência.

As divergências intensificaram-se após os resultados das últimas eleições gerais e autárquicas, agravando um ambiente de divisão interna, desconfiança e exigências de reformas na gestão política e financeira do (segundo) maior partido da oposição moçambicana.

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