APSUM apresenta alegadas provas de medicamentos fora do prazo e acusa Governo de ocultar colapso na saúde

DESTAQUE SAÚDE
Share this
  • Executivo desafiou e teve resposta da organização, a qual trouxe evidências

A Associação dos Profissionais Unidos da Saúde de Moçambique (APSUM) veio a público apresentar aquilo que afirma serem elementos materiais que comprovam a existência de medicamentos fora do prazo de validade em várias unidades sanitárias do país. A organização acusa o Governo de tentar desviar a atenção da opinião pública do que classifica como “colapso logístico e operacional” do Sistema Nacional de Saúde (SNS), recorrendo a discursos evasivos e estratégias mediáticas.

Luisa Muhambe

A reacção da APSUM surge na sequência do desafio lançado pelo Governo, na última sexta-feira, através do porta-voz Inocêncio Impissa, que negou a distribuição de fármacos expirados e exigiu provas concretas das acusações tornadas públicas pela associação.

Em resposta, a APSUM apresentou a jornalistas registos fotográficos e videográficos que, segundo a organização, terão sido capturados em centros oficiais de abastecimento de medicamentos do Estado. A associação sustenta que o material expõe falhas graves na cadeia de armazenamento, controlo e distribuição de fármacos, colocando em risco a vida dos pacientes.

O presidente da APSUM, Anselmo Muchave, reagiu com dureza ao repto do Executivo, garantindo que a recolha de evidências foi imediata.

“O governo desafiou a pessoas a provar a coisa mais simples que o ser humano pode fazer. Nem precisamos de 24 horas para o fazer. Estamos então aqui com as provas. Nós queremos falar com a mídia e dizer que temos várias imagens e queremos que o Governo não brinque com o povo. Não queremos que o Governo olhe para o povo como um povo ignorante. Se o Governo não quer ouvir, vamos gritar. Os medicamentos estão fora do prazo nas unidades sanitárias, o povo está a receber veneno além de cura”, disse.

Muchave acrescenta que a crise no sector da saúde não poderá ser resolvida com processos de aquisição de longo prazo, criticando os prazos anunciados pelo Governo para a chegada de novos lotes de medicamentos.

“O governo fala do concurso de compra de medicamento que vai durar 18 meses e eu vos garanto, digo à mídia, digo ao povo moçambicano que o Governo não pagou nenhum medicamento que vai chegar daqui a 18 meses. Quer dizer que a crise do colapso que está a doer hoje, daqui a 18 meses irá doer três vezes mais”, afirmou.

O líder da associação desafiou ainda as autoridades sanitárias a realizarem uma vistoria imediata e sem aviso prévio aos armazéns do Centro de Medicamentos e Artigos Médicos (CMAM), na presença da imprensa.

Muchave levantou ainda alegações sobre o alegado mercado paralelo de medicamentos, apontando responsabilidades a estruturas do próprio Estado.

“Essa venda é do próprio Governo. Não vamos estar aqui a tentar apalpar, o Governo tem que ser desafiado. A venda e o roubo de medicamento são da parte dele. Tem que explicar porque esse medicamento desaparece em grandes lotes”, desafiou.

Num contexto de crescente tensão no sector, a APSUM denuncia ainda o agravamento da insegurança e das falhas de controlo de material médico nas unidades hospitalares. Esta segunda-feira, no Hospital Central de Nampula (HCN), a vigilância interna interceptou uma alegada tentativa de retirada ilegal de material médico-cirúrgico e equipamentos de refrigeração hospitalar.

Segundo relatos institucionais, os bens já se encontravam carregados numa viatura de marca Toyota Ractis, de cor preta, quando a movimentação foi travada. A direcção do hospital accionou de imediato a Polícia da República de Moçambique, através da Segunda Esquadra, culminando na detenção do suspeito e na apreensão do veículo e do material, para subsequente responsabilização criminal.

Promo������o
Share this

Facebook Comments