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- Sénior confirma que tinha intenção de concorrer e diz ter sido combatido
- Novinte, um dos fundadores do partido, afirma ter sido isolado e afastado após manifestar intenção em concorrer
Menos de um ano depois de ter sido apresentado como um dos rostos mais influentes do projecto político de Venâncio Mondlane, o membro sénior e um dos fundadores do ANAMOLA, Raúl Novinte, acusa a direcção da formação política de falta de democracia interna e revela ter sido alvo de isolamento e combate político depois de manifestar a intenção de disputar a liderança do partido.
Evidências
Raúl Novinte, membro sénior e fundador da organização, antigo edil de Nacala-Porto e uma das figuras que mais contribuíram para a implantação e mobilização da base “venancista” na região Norte do país sente-se “traído” pelos seus pares. O político revela que pretendia concorrer à liderança do partido, mas acabou por desistir depois de, alegadamente, ter sido alvo de isolamento e combate interno.
Em declarações contundentes ao Evidências, Novinte afirma que chegou a comunicar formalmente ao presidente do partido a sua intenção de apresentar uma candidatura, mas diz que a iniciativa desencadeou uma série de hostilidades no seio da organização.
“Sim, eu tinha a clara intenção de me candidatar, e informei ao Eng. Venâncio Mondlane sobre a minha pretensão. Entretanto, dias depois comecei a ser combatido dentro do partido. Fui combatido, isolado e afastado. Daí acabei pensando outros horizontes”, revela Novinte.
As acusações ganham maior simbolismo pelo facto de partirem de um dos homens que mais se arriscou politicamente em defesa de Venâncio Mondlane. Foi em Nacala-Porto, sob protecção política de Raúl Novinte, que Venâncio Mondlane anunciou, em Janeiro de 2024, a sua candidatura à presidência da Renamo, num dos momentos mais marcantes da contestação interna contra a liderança de Ossufo Momade.
Mais tarde, Novinte abandonaria a Renamo para acompanhar o projecto político de Mondlane, tornando-se um dos principais dinamizadores do movimento no Norte do país e uma das figuras centrais da antiga CAD. Chegou mesmo a ser apontado como um dos homens fortes da mobilização popular em torno do fenómeno político que viria a ficar conhecido como “venancismo”.
Paradoxalmente, é um dirigente que, durante anos, apresentou-se como defensor da democracia interna, mas acusado, neste momento, por um dos seus mais próximos aliados de reproduzir práticas semelhantes às que ambos combatiam no passado.
Ausência notável na Convenção
Outra mágoa de Raúl Novinte prende-se com a sua exclusão do recente Congresso do ANAMOLA. O fundador garante que não foi sequer convidado para o evento que, curiosamente, decorreu na sua província, apesar de continuar formalmente ligado ao partido e de nunca ter renunciado ao cargo de Mobilizador Regional.
“No Congresso não fui convidado, porém ainda não me desliguei do partido e muito menos renunciei ao cargo de Mobilizador Regional, mas isso não constitui problema e nem estou indignado, pois sei muito bem que era um cargo para o ‘inglês ver’. Não há democracia no ANAMOLA”, desabafa.
As declarações de Raúl Novinte surgem numa altura em que a formação política procura consolidar a sua estrutura interna, mas podem reacender o debate sobre a existência de espaço para a pluralidade de opiniões e a competição pela liderança no seio do partido. Até ao momento, a direcção do ANAMOLA não se pronunciou publicamente sobre as acusações levantadas pelo seu membro sénior e um dos seus fundadores.



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