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O director executivo do Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD), Hermenegildo Mundlovo, afirmou esta quinta-feira, em Maputo, que o Projecto ProPaz deixa como principal legado o fortalecimento do diálogo entre comunidades, sociedade civil e instituições públicas, criando bases sólidas para a consolidação da paz e da reconciliação nacional em Moçambique.
Falando durante a cerimónia de encerramento do Projecto ProPaz e de consolidação do Fórum Nacional sobre Paz e Reconciliação, Mundlovo destacou que o fim da iniciativa não representa o encerramento dos esforços em prol da paz, mas sim o início de uma nova etapa, assente na continuidade dos mecanismos de diálogo e cooperação criados ao longo da implementação do projecto.
Segundo o responsável, o ProPaz surgiu numa fase em que o país concluía o processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR), período em que o maior desafio consistia em reconstruir a confiança entre comunidades afectadas pelo conflito e promover a reintegração dos antigos combatentes.
“O verdadeiro desafio não terminava com a entrega das armas. Era necessário reconstruir a confiança entre as pessoas e criar condições para que as comunidades acolhessem os antigos combatentes”, afirmou.
Mundlovo sublinhou que, ao longo da implementação, o projecto demonstrou que a paz duradoura depende da participação conjunta de homens, mulheres, jovens, líderes comunitários, organizações da sociedade civil e instituições públicas. Acrescentou que um dos maiores resultados foi a criação de espaços permanentes de diálogo, onde diferentes actores puderam construir soluções comuns para os desafios da reconciliação.
O director executivo do IMD destacou igualmente o papel da cultura como instrumento de transformação social, considerando que manifestações como a música, o teatro, a dança e as tradições locais contribuíram para aproximar comunidades, recuperar laços de confiança e reforçar o sentimento de pertença à mesma nação.
Entre os principais resultados alcançados, apontou a recolha das aspirações das comunidades sobre os caminhos para a paz, o fortalecimento das infra-estruturas locais de prevenção de conflitos, a promoção do associativismo comunitário e a mobilização das organizações da sociedade civil para assumirem um papel mais activo na consolidação da paz. Referiu ainda a criação do Fórum Nacional de Paz e Reconciliação como um espaço permanente de concertação entre diferentes sectores da sociedade.
Nas notas de balanço apresentadas pelo IMD, destaca-se que a instituição coordenou consultas provinciais e nacionais envolvendo partidos políticos, organizações da sociedade civil, instituições religiosas, universidades, líderes comunitários, mulheres e jovens, processo que culminou na elaboração de um Guião de Boas Práticas e de uma Metodologia Comum de Reconciliação Nacional. Também foram reforçadas as capacidades de actores locais através de acções de formação orientadas para a promoção da cultura de paz e da não-violência.
O projecto permitiu ainda fortalecer a coordenação das plataformas provinciais da sociedade civil, apoiar a elaboração de planos de acção para promoção da paz, incentivar a formalização de associações comunitárias, criar um núcleo regional de mulheres para a resolução de conflitos e lançar as bases para o funcionamento do Fórum Nacional para a Paz e Reconciliação.
No encerramento da sua intervenção, Hermenegildo Mundlovo agradeceu à União Europeia pelo financiamento do projecto, bem como aos parceiros implementadores — IMD, CISP, LeMuSiCa e IVERCA — e às comunidades das províncias de Sofala, Manica e Tete pela colaboração prestada durante a execução da iniciativa.
Para o director executivo do IMD, “a paz não é apenas a ausência de conflito; é confiança, diálogo, inclusão, justiça, cultura e desenvolvimento”, defendendo que a sua construção deve continuar a ser uma responsabilidade partilhada por toda a sociedade moçambicana.



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