IMD defende que paz deve ser vivida nas comunidades e não limitar-se a acordos assinados

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O Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD) defendeu, esta quinta-feira (23), em Maputo, que a consolidação da paz em Moçambique exige mais do que a assinatura de acordos políticos, devendo traduzir-se em convivência harmoniosa nas comunidades, inclusão social e diálogo permanente entre os cidadãos.

“Há momentos na vida de uma nação em que somos chamados não apenas a recordar o passado, mas sobretudo a decidir o futuro que queremos construir. Acredito que este é um desses momentos para Moçambique. Reunimo-nos nesta conferência porque todos sentimos, de diferentes formas, que o nosso país precisa de mais do que paz assinada em documentos; precisa de paz vivida nas comunidades, sentida nas famílias e cultivada diariamente no coração dos moçambicanos”, afirmou o director executivo do IMD, Hermenegildo Mundlovo.

Durante a Conferência sobre Arquitetura de Paz em Moçambique,  Mundlovo, afirmou que o país atravessa um momento decisivo para transformar os entendimentos políticos numa paz sustentável, construída diariamente por todos os moçambicanos.

Segundo o dirigente da organização não-governamental, o Diálogo Nacional Inclusivo representa uma oportunidade histórica para fortalecer a reconciliação, mas advertiu que esse processo apenas produzirá resultados se a paz deixar de ser uma responsabilidade exclusiva dos actores políticos e passar a envolver famílias, líderes comunitários, religiosos, professores, jornalistas e a sociedade em geral.

“A paz pertence a cada um de nós. Pertence à mãe que educa os seus filhos para o respeito, ao jovem que escolhe o diálogo em vez da violência, ao líder religioso que aproxima pessoas, ao régulo que resolve conflitos na comunidade, ao professor que forma cidadãos, ao jornalista que combate a desinformação e a todos aqueles que, silenciosamente, trabalham para manter unidas as nossas comunidades”, sublinhou Mundlovo.

O responsável destacou que a pesquisa apresentada durante a conferência demonstra que Moçambique dispõe de uma vasta rede de “infra-estruturas de paz”, composta por autoridades tradicionais, igrejas, organizações da sociedade civil, grupos de mulheres e associações juvenis, que desempenham um papel fundamental na prevenção de conflitos e na promoção da reconciliação.

Contudo, lamentou que esses actores continuem dispersos, pouco articulados e insuficientemente valorizados, defendendo uma maior coordenação para potenciar o seu contributo na consolidação da paz.

“Estas forças continuam dispersas, pouco articuladas e muitas vezes pouco valorizadas. A pesquisa lembra-nos ainda que a maior ameaça à nossa unidade não é apenas a violência visível; são também as desigualdades, a exclusão, a desconfiança, os discursos de ódio e a fragmentação social, que lentamente vão dividindo os moçambicanos”, disparou.

Na ocasião, o director executivo do IMD apelou ao fortalecimento dos chamados “produtores da paz”, pessoas e instituições que intervêm preventivamente para evitar conflitos, reconciliar famílias e reforçar a confiança entre as comunidades.

“A paz não se mede apenas pela ausência de tiros. Mede-se pela capacidade de confiarmos uns nos outros, de respeitarmos quem pensa diferente, de resolvermos divergências sem violência e de garantirmos que nenhuma criança cresça acreditando que o conflito é inevitável. Cada palavra de respeito fortalece a paz. Cada acto de solidariedade fortalece a paz. Cada gesto de inclusão fortalece a paz. A paz constrói-se todos os dias, muitas vezes em silêncio, através de pequenas decisões que transformam comunidades inteiras”, observou.

No encerramento da intervenção, Hermenegildo Mundlovo lançou um apelo aos jovens, mulheres, líderes religiosos e tradicionais, organizações da sociedade civil, empresários, órgãos de comunicação social e instituições públicas para assumirem um compromisso colectivo com a construção de uma cultura de paz duradoura.

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