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- Jovens engenheiros moçambicanos assumem protagonismo e garantem operações da Sasol
- 97% das “mãos” que processam gás de cozinha e petróleo leve em Temane são moçambicanas
- Há cinco anos Inhassoro era palco de manifestações contra a exclusão laboral
- Nova fábrica simboliza uma mudança na participação nacional na indústria petrolífera
Durante mais de duas décadas, a exploração de gás em Temane foi sinónimo de exportação de riqueza, protestos de jovens por emprego e críticas ao reduzido impacto económico nas comunidades anfitriãs. Hoje, porém, o cenário começa a mudar. A inauguração da primeira Unidade Integrada de Processamento de Hidrocarbonetos (IPF), em Inhassoro, representa não apenas o início da produção nacional de gás de cozinha e petróleo leve, mas também um ponto de viragem na participação moçambicana na indústria petrolífera. Pela primeira vez, cerca de 97% dos engenheiros e técnicos responsáveis pela construção, instalação, arranque, comissionamento e operação da unidade são jovens moçambicanos, muitos deles formados através de programas apoiados pela Sasol e pela Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH).
Reginaldo Tchambule
Em 2004, quando a Sasol iniciou a exploração comercial dos campos de Pande e Temane, a expectativa era de que o projecto dinamizasse não só o desenvolvimento do País, como também transformasse a realidade socioeconómica de Vilankulo, Inhassoro e Govuro. Contudo, ao longo dos anos, a promessa de desenvolvimento foi sendo ofuscada por críticas relacionadas com o reduzido conteúdo local, fraca participação empresarial moçambicana, exportação quase integral do gás em bruto e oportunidades de emprego consideradas insuficientes para as comunidades anfitriãs.
O descontentamento atingiu o auge entre 2019 e 2021, quando centenas de jovens protagonizaram sucessivas manifestações exigindo acesso ao emprego nos projectos da Sasol. Em várias ocasiões bloquearam a Estrada Nacional Número Um (EN1), denunciaram alegadas irregularidades nos processos de recrutamento e acusaram a multinacional de privilegiar trabalhadores provenientes de outras províncias, deixando os residentes locais à margem dos benefícios da exploração dos recursos naturais.
Na altura, a tensão entre comunidades, Governo e empresa levantou dúvidas sobre a sustentabilidade social daquele que continua a ser o mais antigo projecto de exploração de gás em Moçambique.
Cinco anos depois das manifestações mais intensas, no entanto, a realidade mudou com a inauguração da nova Unidade Integrada de Processamento de Hidrocarbonetos e a implementação de projectos sociais que parecem representar uma mudança de paradigma.
Ao contrário da primeira fase do projecto, em que grande parte do conhecimento técnico era assegurado por especialistas estrangeiros, na recém-inaugurada Infra-estrutura Integrada de Processamento de Hidrocarbonetos (IPF), em Inhassoro, 97% da mão-de-obra que construiu, instalou, arrancou, comissionou e agora opera a fábrica é nacional, um marco que simboliza a maturidade crescente do sector energético nacional.
As equipas nacionais acompanharam o processo desde a fabricação dos equipamentos no estrangeiro até à montagem e testes até a entrada em funcionamento da unidade. É esta mudança que leva jovens engenheiros como Juvêncio Massinguil a defender que Moçambique está finalmente a começar a dominar a tecnologia que durante muitos anos permaneceu nas mãos de especialistas internacionais.
“Cerca de 97% dos engenheiros e técnicos que participaram no arranque e comissionamento da fábrica somos nós jovens moçambicanos, alguns nascidos aqui em Guvuro e inhassoro”, testemunhou em entrevista ao Evidências, Juvêncio Massinguil, jovem engenheiro de petróleos de 30 anos, a quem foi confiado o cargo de gestor de produção daquela fábrica.
Juvêncio é o rosto e líder de uma fornalha de engenheiros e técnicos moçambicanos que agora assumem o desafio de produzir gás de cozinha e petróleo leve para alimentar as famílias moçambicanas e a indústria nacional, rompendo com um passado de exclusão que já levou jovens a paralisarem as actividades.
Formado inicialmente na Escola Profissional local, num programa financiado pela petroquímica sul-africana Sasol e pela Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), Massinguil prosseguiu os seus estudos em Engenharia e Mestrado na Universidade Eduardo Mondlane e completou um MBA na África do Sul. Hoje, é Gestor de Produção da IPF, liderando equipas e operações que garantem a entrada do gás moçambicano no mercado com qualidade de nível internacional.
“Vimos esta fábrica nascer desde a terra plana, sem nada, e acompanhámos cada equipamento que chegava. Todo o processo técnico foi feito por nós”, afirmou com orgulho Massinguil, visivelmente orgulhoso, referindo-se ao sonho de gradualmente os técnicos moçambicanos irem assumindo a indústria de petróleo e gás, não só em Inhambane como nos outros cantos do País.
“Já somos capazes de operar nossas próprias fábricas de hidrocarbonetos”

Segundo o engenheiro, a IPF foi concebida de forma totalmente diferente de grandes projectos anteriores no País, numa clara referência aos projectos liderados pela ENI, TotalEnergies e outros cuja participação de mão-de-obra especializada nacional ainda é incipiente.
“Esta fábrica é diferente das outras. Não esperámos pela entrega para começar a aprender. Nós acompanhámos cada etapa da construção, recebemos os equipamentos, fizemos os testes, fizemos o comissionamento. Hoje, quem está na sala de controlo somos nós, filhos desta terra. Já somos capazes de operar as nossas próprias fábricas”, vincou Massinguil, anunciando o começo de uma nova era.
Massinguil, que fez parte das equipas deslocadas ao estrangeiro para acompanhar a fabricação de equipamentos, na Europa e na Ásia, assegura que esta experiência consolidou a confiança técnica nacional.
“Nós moçambicanos, já somos capazes de operar as nossas próprias fábricas de hidrocarbonetos. Houve desafios, sim, e pedimos suporte quando necessário. Mas hoje desligamos e religamos o sistema sem depender de ninguém de fora”, ajuntou.
Para o engenheiro, esta conquista também ajuda a combater a narrativa recorrente de que Moçambique não possui capacidade técnica para projectos complexos.
“Às vezes ouve-se que não temos capacidade para lidar com tecnologia desta dimensão. Mas estamos aqui, somos prova concreta. Esta fábrica é operada por jovens formados aqui e lá fora. É importante que esta mensagem chegue aos moçambicanos. Nós vamos entregar esta fábrica às próximas gerações. Fomos nós que a vimos nascer, fomos nós que a recebemos. Isto é diferente de qualquer projecto anterior. É história. Se amanhã surgir outra fábrica semelhante, ou até mais complexa, nós já temos a experiência necessária para repetir a história”, reforçou.
Nem sempre foi assim: Inhassoro já foi foi palco de manifestações

“Os jovens vão continuar a lutar pelos seus direitos. Prometeram que este projecto iria criar emprego para os jovens de Inhassoro, mas continuamos a ser excluídos. A Sasol tira riqueza daqui, mas as nossas escolas continuam degradadas, os hospitais continuam sem condições e os jovens continuam desempregados”, protestou um dos jovens captados, na altura, pela objectiva do Evidências.
Muitos denunciavam alegadas cobranças ilícitas para facilitar contratações, acusavam empresas subcontratadas de privilegiarem trabalhadores provenientes de outras províncias e lamentavam que poucas empresas locais conseguissem beneficiar dos contratos associados à exploração de gás.
“Aqui em Inhassoro há muitas pessoas formadas em diversas áreas, mas as vagas são ocupadas por pessoas de fora, não que não devem vir pessoas de fora, mas que haja oportunidades para os locais. Os níveis de empregabilidade dos jovens de Inhassoro são muito baixos, mas o problema está nos líderes que são confiados à responsabilidade de enquadrar jovens locais e transformaram isso num negócio. Somente anunciam vagas quando sabem que localmente não há pessoas qualificadas”, denuncia Gito Tsure, revelando que muitas vezes os locais são contratados para trabalhos braçais, como ajudantes.
Na época, a Polícia da República de Moçambique respondeu às manifestações com gás lacrimogéneo, balas de borracha e detenções. Sete jovens acabariam detidos durante uma das maiores manifestações registadas em Inhassoro.
As autoridades alegavam tratar-se de actos de vandalismo. Os manifestantes insistiam que apenas reclamavam oportunidades. O conflito social tornou-se um dos maiores desafios enfrentados pela Sasol desde o início das suas operações em Moçambique.
Acordos de Desenvolvimento Local: da contestação social à tentativa de reconstruir a confiança

As críticas ao impacto social do projecto de gás não se limitaram à falta de emprego. Num estudo intitulado “Irregularidades nas Transferências dos 2,75% Lesam em Mais de 53 Milhões de Meticais as Comunidades de Inhassoro e Govuro”, o Centro de Integridade Pública (CIP) concluiu que, entre 2013 e 2020, as comunidades receberam menos de metade dos recursos a que tinham direito provenientes da exploração de hidrocarbonetos.
Segundo a organização, o Estado deveria ter transferido cerca de 99,4 milhões de meticais, mas apenas 46,4 milhões chegaram aos beneficiários, deixando um défice superior a 53 milhões de meticais que poderiam ter financiado projectos de desenvolvimento e melhorado as condições de vida das populações locais.
Foi neste contexto de crescente pressão das comunidades, aliado às críticas da sociedade civil sobre a fraca redistribuição dos benefícios da exploração de gás, que a Sasol avançou para os Acordos de Desenvolvimento Local (ADL), instrumentos através dos quais são financiados projectos comunitários definidos pelas próprias populações.
O referido mecanismo, que veio colocar fim a cerca de 20 anos de fraco investimento social que resultava em descontentamento, é fruto de uma negociação tripartida entre o Governo de Inhambane, na altura dirigido por Daniel Chapo, largamente elogiado pela sua liderança nesta iniciativa; a Sasol e a sociedade civil em representação das comunidades locais.
A pressão exercida pelas comunidades de Inhassoro e Govuro, que durante anos denunciaram a fraca distribuição dos benefícios da exploração de gás, acabou por acelerar uma mudança na abordagem da Sasol ao desenvolvimento comunitário. Os Acordos de Desenvolvimento Local (ADL) passaram a constituir um dos principais instrumentos para aproximar os projectos de gás das comunidades, financiando iniciativas definidas em conjunto com estas.
Segundo dados apurados pelo Evidências, só no período entre 2020 e 2023, a Sasol tinha investido cerca 20 milhões de dólares em programas de desenvolvimento que abrangem 37 comunidades de Inhassoro e Govuro, cobrindo sectores como educação, saúde, abastecimento de água, agricultura, geração de rendimento e infra-estruturas comunitárias.
Segundo Muriel Dube, presidente do Conselho de Administração (Chairperson) do Grupo Sasol, para maximizar o seu impacto, o compromisso foi posteriormente ampliado através de um segundo acordo, avaliado em cerca de 43 milhões de dólares, que prevê beneficiar aproximadamente 70 comunidades até 2030.
“Só nas 37 comunidades dos distritos de Inhassoro e Govuro aplicámos cerca de 20 milhões de dólares em Acordos de Desenvolvimento Local desde 2020. Recentemente assinámos um segundo acordo, avaliado em cerca de 43 milhões de dólares, que permitirá expandir estes programas para aproximadamente 70 comunidades até 2030. Não queremos apenas produzir gás. Queremos deixar um legado nas comunidades através da educação, da capacitação, da saúde, do acesso à água e da criação de oportunidades económicas”, sublinhou.
Sociedade civil vê um ponto de viragem na relação empresa – comunidade

Os Acordos de Desenvolvimento Local são elogiados também pela sociedade civil. A KUWUKA JDA, organização com larga experiência de trabalho em prol das comunidades afectadas pela exploração de recursos minerais, considera que representam um avanço, por permitirem às comunidades definir as suas próprias prioridades de investimento.
O oficial de programas daquela organização, Germano Brujan, numa entrevista concedida ao Evidências para falar dos 20 anos da Sasol em Moçambique, considera ainda que os ADL contribuíram para reduzir a tensão social entre a Sasol e as comunidades, ao contrário do que acontecia antes, quando a empresa desenvolvia poucas acções de responsabilidade social.
“Já se registaram várias greves das comunidades a reivindicarem emprego e investimento em infra-estruturas, mas nos últimos tempos a situação melhorou um pouco depois da assinatura dos Acordos de Desenvolvimento Local, em que as comunidades passaram a apresentar as suas próprias prioridades”, destacou.
No entanto, a organização alerta que a gestão dos 2,75% das receitas da exploração continua a enfrentar problemas, por estar nas mãos dos governos distritais.
“O que temos visto é que essa gestão muitas vezes tem sido danosa. Em Inhassoro há obras inacabadas e abandonadas pelos empreiteiros”, afirmou o director da organização, Germano Brujan.
Entre as realizações mais marcantes dos ADL destaca-se a inauguração, em 2023, de uma Unidade de Formação Profissional no IFPELAC Alberto Cassimo, que até Dezembro de 2024 já capacitou 287 jovens em áreas como electricidade, canalização, culinária e agro-processamento, dos quais 231 receberam ainda formação em competências para a vida e preparação para o mercado de trabalho. No domínio do desenvolvimento económico, foram igualmente implementadas cadeias de valor para a criação de gado caprino, produção de ovos, horticultura, ananás, castanha de caju e artesanato, envolvendo dezenas de comunidades e centenas de famílias.
Os ADL estão igualmente a financiar um ambicioso programa de água e saneamento, orçado em cerca de 5 milhões de dólares, que beneficia mais de 30 mil pessoas, reduzindo as distâncias percorridas pelas comunidades para aceder a água potável.
Paralelamente, a Sasol prevê investir 1,1 milhão de dólares na expansão do acesso à energia eléctrica em 26 comunidades, tendo já firmado um memorando com a Electricidade de Moçambique (EDM) para ligar cerca de mil famílias à rede nacional, consolidando uma intervenção que procura transformar a riqueza do gás em melhorias concretas para as comunidades anfitriãs.
Da exportação em bruto ao processamento local

A inauguração da Unidade Integrada de Processamento de Hidrocarbonetos, inaugurada em Dezembro passado e que se encontra a operar em pleno, com carregamentos regulares de LPG, representa igualmente o culminar de um percurso iniciado há quase um quarto de século. Foi em 2000 que o Estado moçambicano e a petroquímica sul-africana Sasol assinaram dois instrumentos considerados estruturantes para o futuro da exploração de hidrocarbonetos em Inhambane.
O primeiro foi o Acordo de Produção de Petróleo (PPA), que abriu caminho à exploração comercial dos campos de Pande e Temane. O segundo foi o Acordo de Partilha de Produção (PSA), concebido para permitir uma utilização mais abrangente dos recursos existentes, incluindo o processamento local dos hidrocarbonetos.
Na prática, porém, o País limitou-se durante duas décadas a produzir e exportar gás natural, sobretudo para a África do Sul, mantendo uma forte dependência da importação de gás de cozinha consumido pelas famílias moçambicanas.
Durante esse período, milhões de dólares atravessaram diariamente a fronteira através do gasoduto que liga Temane à província sul-africana de Mpumalanga. Enquanto isso, o GPL utilizado nas cozinhas nacionais continuava a chegar por via marítima, sujeito às oscilações dos mercados internacionais e ao consumo de preciosas divisas.
Com a entrada em funcionamento da nova unidade, esse paradigma começa finalmente a alterar-se. A fábrica tem capacidade para produzir cerca de 30 mil toneladas de GPL por ano, reduzindo em mais de metade as importações de gás de cozinha e permitindo ao Estado poupar entre 20 e 25 milhões de dólares anuais em divisas.
Além do GPL, a unidade produz aproximadamente quatro mil barris diários de condensado de petróleo leve, matéria-prima utilizada posteriormente para a produção de gasolina, gasóleo e outros derivados. O primeiro carregamento de GLP 100% moçambicano foi realizado a 07 de Outubro de 2025.
Discursando logo após a inauguração daquele empreendimento, em Dezembro passado, o Presidente da República, Daniel Chapo, que tem vincado uma visão de transformar Moçambique num hub energético da região, destacou a importância estratégica do empreendimento e caracterizou-o como símbolo de um País que deixou de ver os seus recursos por fora e passou a transformá-los dentro de portas, com visão, ambição e sentido de soberania e independência nacional.
“Este empreendimento é mais do que uma obra física. É a expressão da nossa determinação em deixar de exportar matérias-primas e importar produtos mais caros já transformados. Hoje começamos a dar passos concretos rumo à nossa independência económica e soberania estratégica”, afirmou o Chefe de Estado.
Daniel Chapo frisou também o impacto social da obra. Mais de 1.685 empregos foram criados durante a fase de construção do empreendimento, sendo que 120 postos de trabalho permanecerão activos na etapa de operação permanente. O líder garantiu que, desse volume, mais de 80% da força laboral contratada é local, oriunda de distritos como Inhassoro, Govuro, Vilankulo, Massinga e outras regiões da Província de Inhambane e do país.
Ao lado de Chapo, o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, fez questão de sublinhar que a Sasol e seus projectos ultrapassam as fronteiras nacionais. Elogiou o Governo de Moçambique e a petrolífera Sasol pela construção da nova Unidade de Processamento Integrado de Gás inaugurada no Distrito de Inhassorro, Província de Inhambane, classificando a visita oficial ao País como “significativa” e de grande simbolismo para a cooperação bilateral e regional.
“Esta infra-estrutura reforça a segurança energética dos nossos dois países e representa um activo estratégico para toda a região da África Austral. É o resultado de uma cooperação construída ao longo de muitos anos entre Moçambique e a África do Sul”, sublinhou Ramaphosa.
Ainda assim, os avanços registados não significam o fim dos desafios. O desemprego continua a ser uma das principais preocupações da juventude de Inhassoro e Govuro, enquanto as comunidades mantêm expectativas em torno do aumento da contratação de empresas nacionais, da expansão do conteúdo local e da melhoria do acesso a serviços sociais básicos.
Permanecem igualmente reivindicações relacionadas com compensações mais justas às populações abrangidas pelos projectos de expansão e pela implantação de gasodutos, numa demonstração de que, embora a inauguração da nova fábrica e os Acordos de Desenvolvimento Local representem um ponto de viragem, a verdadeira medida do sucesso da indústria do gás continuará a ser a sua capacidade de transformar, de forma duradoura, a vida das comunidades que convivem diariamente com a exploração destes recursos.



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