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O professor universitário Jaime Taimo defendeu que a paz não deve ser entendida apenas como ausência de guerra ou de violência, mas como um processo permanente de construção da justiça, da inclusão social e do fortalecimento das instituições democráticas. Para o académico, Moçambique precisa de um modelo próprio de reconciliação que combine verdade, reparação às vítimas, responsabilização e diálogo permanente entre os diferentes sectores da sociedade.
Taimo falava durante a Conferência sobre Arquitectura de Paz em Moçambique, onde afirmou que construir a paz implica olhar para o futuro sem ignorar as feridas do passado, defendendo que o diálogo é um instrumento essencial para consolidar a convivência democrática.
Segundo explicou, uma sociedade não se torna pacífica apenas porque cessam os confrontos armados.
“A paz é uma construção histórica, política, ética e institucional, sustentada pela confiança, pela justiça, pelo respeito da dignidade humana e pelo compromisso com o bem comum”, afirmou, acrescentando que uma paz verdadeira nasce quando as diferenças deixam de ser motivo de conflito para se transformarem em oportunidades de aprendizagem e cooperação.
Durante a sua intervenção, o académico recorreu a vários pensadores, entre eles Johan Galtung, Paulo Freire e Jürgen Habermas, para sustentar que o diálogo constitui um dos pilares da democracia e da construção da cidadania.
Para Taimo, dialogar não significa apenas falar, mas reconhecer o outro como sujeito de dignidade, escutar posições diferentes e procurar soluções construídas de forma colectiva.
“Uma sociedade madura não é aquela onde todos pensam da mesma forma, mas aquela onde as pessoas conseguem discordar sem se tornarem inimigas”, sublinhou.
O professor destacou ainda a filosofia africana do Ubuntu como um dos fundamentos para a convivência pacífica, defendendo que a humanidade de cada pessoa depende do reconhecimento da humanidade do outro.



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