CDM: Um Exemplo de Como a Indústria Pode Impulsionar o Desenvolvimento de Moçambique

ECONOMIA SOCIEDADE
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Num país onde o desafio da industrialização continua a ocupar um lugar central na agenda de desenvolvimento, torna-se cada vez mais importante olhar para exemplos concretos de empresas que conseguem transformar actividade económica em impacto social, geração de emprego, arrecadação fiscal e fortalecimento das cadeias de valor nacionais. A Cervejas de Moçambique (CDM) é um desses exemplos.

Ao longo de décadas, a empresa consolidou-se como uma das maiores contribuintes para a economia nacional, desempenhando um papel determinante na criação de riqueza, na dinamização da agricultura, na promoção da industrialização e no fortalecimento das finanças públicas.

Os números ajudam a compreender a dimensão deste impacto. A actividade da empresa contribui com mais de 411 milhões de dólares para o Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique, suporta cerca de 160 mil empregos directos e indirectos ao longo da sua cadeia de valor, gera aproximadamente 363,1 milhões de dólares em receitas fiscais para o Estado e acrescenta mais de 45,4 milhões de dólares à cadeia agrícola nacional.

A aquisição de mais de 33 mil toneladas de milho produzido localmente para a produção cervejeira constitui um exemplo concreto desta estratégia. Actualmente, a CDM trabalha com cerca de 16 mil produtores de milho apenas na província de Manica, um número que a empresa pretende expandir à medida que reforça a integração da produção nacional na sua cadeia de abastecimento. Ao garantir um mercado estável para estes agricultores, a empresa não apenas estimula o aumento da produção agrícola, como também promove a circulação de rendimento nas zonas rurais, contribui para a segurança económica de milhares de famílias e fortalece a ligação entre o campo e a indústria.

A experiência da cerveja Impala constitui outro caso de sucesso frequentemente citado quando se fala de inclusão económica. Produzida a partir de mandioca adquirida localmente, a marca permitiu integrar milhares de pequenos produtores agrícolas na economia formal, particularmente na província de Nampula. Este modelo demonstra que a industrialização pode ser um instrumento poderoso para agregar valor à produção nacional e criar oportunidades para comunidades tradicionalmente afastadas dos grandes centros económicos.

O investimento contínuo da CDM na modernização da sua capacidade produtiva reforça igualmente a sua importância para a economia nacional.A fábrica de Marracuene, resultado de um investimento de cerca de 180 milhões de dólares norte-americanos, é actualmente uma das unidades industriais mais modernas do continente africano. Dotada de tecnologia avançada de produção, embalamento e eficiência energética, esta unidade aumenta a competitividade da empresa e contribui para o fortalecimento da capacidade industrial do país.

Num momento em que Moçambique procura reduzir a dependência das exportações de matérias-primas e aumentar o valor acrescentado da produção nacional, investimentos desta dimensão representam sinais encorajadores para o futuro da industrialização.

 

 

A relevância da CDM estende-se igualmente às finanças públicas. Num país onde a mobilização de receitas internas é essencial para financiar serviços públicos e investimentos estratégicos, a empresa destaca-se como uma das maiores contribuintes fiscais de Moçambique. Este compromisso foi recentemente reconhecido durante a cerimónia de distinção dos maiores contribuintes do país, onde a CDM foi destacada como o maior contribuinte empresarial, evidenciando o seu papel de referência no tecido económico nacional. O reconhecimento foi entregue pela Primeira-Ministra, Benvinda Levi, ao Director-Geral da empresa, Galo Rivera. Na mesma ocasião, a empresa foi distinguida pelo seu desempenho fiscal nas categorias de Contribuição Global, Imposto sobre Consumos Específicos e Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), reafirmando a sua importância para a sustentabilidade das receitas do Estado e para o desenvolvimento económico de Moçambique.

A contribuição da empresa vai além dos indicadores económicos. A CDM foi distinguida entre as 10 Melhores Empresas para Trabalhar em Moçambique, no âmbito do programa Elite Employer 2026. Entre mais de 250 organizações avaliadas, a empresa destacou-se pelos seus programas de desenvolvimento profissional, ambiente de trabalho, benefícios, cultura organizacional e valorização dos colaboradores.

 

 

 

Paralelamente, a empresa tem investido em iniciativas ligadas ao consumo responsável, ao acesso à água potável, à sustentabilidade ambiental e à utilização de embalagens retornáveis. A aposta nas garrafas reutilizáveis permite reduzir resíduos, diminuir a pegada ambiental e tornar os produtos mais acessíveis para os consumidores. Estas iniciativas reflectem uma visão moderna de desenvolvimento empresarial, alinhada com os desafios ambientais e sociais do século XXI.

Um dos principais desafios prende-se com a inexistência de uma indústria nacional de produção de garrafas de vidro em escala comercial. A CDM importa  na totalidade  suas garrafas de vidro,  um factor que aumenta significativamente os custos de produção devido às despesas de importação, seguros e variações cambiais. A criação de uma indústria vidreira nacional não beneficiaria apenas a CDM, mas também outros sectores.

 

 

A experiência da CDM demonstra que uma empresa pode ser simultaneamente rentável, inovadora e socialmente relevante. Pode contribuir para o PIB, gerar receitas fiscais, criar emprego, apoiar agricultores, investir em tecnologia, desenvolver talentos e promover práticas sustentáveis. Num país que procura acelerar o seu desenvolvimento económico e social, exemplos como este mostram que a industrialização não é apenas uma questão de fábricas ou produção. É, acima de tudo, uma questão de criar oportunidades, gerar valor e construir um futuro mais inclusivo para todos os moçambicanos.

Ao olhar para o percurso da Cervejas de Moçambique, percebe-se que o seu verdadeiro produto não é apenas a cerveja, é a capacidade de transformar investimento em desenvolvimento, crescimento económico em inclusão social e actividade empresarial em prosperidade partilhada.

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