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- Conselho Nacional da Renamo pode virar palco de ajustes de contas
A pouco mais de um mês da realização do Conselho Nacional da Resistência Nacional de Moçambique (RENAMO), agendado para 21 e 22 de Outubro, em Maputo, cresce a tensão no seio da perdiz. Um grupo de membros descontentes com a liderança de Ossufo Momade, incluindo antigos combatentes, diz estar a preparar-se para a reunião e promete tomar “atitudes” e “decisões”, caso não seja convidado ou lhe seja negado o direito de intervir.
Luísa Muhambe
O Conselho Nacional deverá discutir a situação interna do partido num momento marcado por fortes divergências entre diferentes alas da RENAMO. Os contestatários de Ossufo Momade dizem ainda não ter recebido qualquer convite, mas afirmam estar preparados para o que vier.
“Nós estamos na expectativa, estamos a nos preparar, somos chamados ou não somos chamados. À semelhança do Conselho Nacional do ano passado, não fomos chamados, mas isso não nos aquece nem nos arrefece. Nós vamos tomar uma atitude. Nesta reunião vamos tomar decisões. Se não nos chamarem ou se as coisas não mudarem, voltaremos àquele sistema que fazíamos”, assegurou António Muchanga, principal opositor de Ossufo Momade, durante um encontro com ex-guerrilheiros na Matola.
Entre as acções anunciadas, Muchanga chegou a ameaçar que os opositores poderão queimar publicamente materiais de propaganda com a imagem de Ossufo Momade, como forma de demonstrar a rejeição à actual liderança.
“Vamos queimar tudo o que é material de propaganda com a imagem do Ossufo Momade. Há muitas senhoras com capulanas que arrumaram nas malas. Vamos queimar aquilo em público, para ele ver que nós não o queremos. Então, vamos passar a vida a fazer isso. Tínhamos parado de fazer isso, porque era a forma de lhe dar oportunidade, de lhe pensar como pessoa”, acrescentou.
Muchanga considera que o Conselho Nacional constitui uma oportunidade para discutir o futuro da RENAMO, mas manifesta dúvidas sobre a sua realização, recordando que reuniões anteriormente convocadas acabaram por não acontecer.
“O problema é que pela prática do Ossufo Momade e seus acólitos, este Conselho Nacional pode desaparecer a qualquer momento. O Ossufo Momade já convocou o Conselho Nacional para Março do ano passado, cidade de Vilanculos, não aconteceu”, recordou.
Segundo Muchanga, posteriormente realizou-se um Conselho Nacional de curta duração, apesar de terem sido mobilizados recursos para uma reunião inicialmente prevista para dois dias.
“Depois de tanta vergonha, veio a fazer o Conselho Nacional de um dia, quando foi recolher dinheiro das organizações para um Conselho Nacional de dois dias e só realizou um Conselho Nacional de algumas horas. E deu no que deu, não resolveu absolutamente nada”, afirmou. O político questiona ainda o cumprimento da periodicidade das reuniões ordinárias previstas nos estatutos da RENAMO.
“De lá, do dia 16 de Outubro de 2025 até hoje, não há nada. Vamos ter um Conselho Nacional, mas o Estatuto fala de duas reuniões ordinárias. Por que não podemos fazer reuniões ordinárias? Falta matéria para discutir?”, questionou.
Demissão imediata de Ossufo Momade
João Machava, porta-voz dos ex-guerrilheiros, confirmou que o grupo está a preparar-se para o Conselho Nacional, embora diga ainda não ter sido formalmente convidado.
“Estamos aqui para debatermos o que mais faremos se nos convocarem ou quando não nos convocarem. Já temos algumas ideias. As outras vão saber no próprio dia”, disse.
Machava deixou claro, entretanto, que a eventual participação dos antigos combatentes deverá estar associada ao direito de intervenção e à possibilidade de apresentar as suas posições.
“Ainda não fomos convidados, por isso estamos aqui. Só que não queremos participar por participar, sem direito à palavra. Tudo o que queremos é Ossufo Momade se demitir de imediato no Conselho Nacional”, afirmou.
A principal exigência dos ex-guerrilheiros é, assim, a saída imediata de Ossufo Momade da liderança da RENAMO.
Críticas à ausência de posicionamento político
Para Muchanga, a crise interna da RENAMO não pode ser dissociada dos problemas nacionais. O político defende que a liderança do partido deveria assumir posições públicas sobre questões como a insurgência em Cabo Delgado, saúde, corrupção, segurança, educação e funcionamento das instituições de Justiça.
Na sua perspectiva, o facto de Ossufo Momade ser antigo comandante militar e actual líder de uma força política da oposição deveria levá-lo a apresentar propostas sobre os problemas de segurança que afectam o país.
“Ser da oposição não significa acordar e ir às Finanças, carregar dinheiro e vir comer em casa. Significa dar ideias”, afirmou, defendendo que o líder da RENAMO deve contribuir para o debate nacional.
Muchanga questionou igualmente a ausência de uma posição pública da liderança da RENAMO sobre problemas que afectam sectores como a saúde, as Forças Armadas, a Polícia, a educação e a magistratura.
“Qual é a opinião da liderança do nosso partido? Como é que você pode governar se você não está em consonância com as preocupações do nosso povo?”, questionou.



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