Banco de Moçambique segura taxa MIMO em 9,25% pela quarta vez consecutiva

DESTAQUE ECONOMIA
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O Banco de Moçambique optou por congelar a taxa de juro de política monetária, fixando a taxa MIMO em 9,25% pelo quarto encontro consecutivo, numa deliberação anunciada  pelo governador da instituição, Felisberto Navalha. A decisão, emanada do Comité de Política Monetária (CPMO), surge num cenário marcado pela vigilância apertada sobre o comportamento dos preços e a volatilidade dos mercados externos.

Inalterada desde o início do ano, após o término do ciclo de abrandamento verificado nos meses anteriores, a taxa reflecte a cautela da autoridade monetária perante os factores de instabilidade macroeconómica global.

Justificando a estagnação do indicador, Felisberto Navalha apontou para a prevalência de vários riscos e incertezas quanto ao impacto dos choques climáticos e do prolongamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente e na Europa, factores que continuam a ameaçar o custo dos combustíveis e das matérias-primas alimentares nos mercados internacionais.

Paralelamente à manutenção da taxa directora, o banco central introduziu uma mexida estrutural no regime das reservas obrigatórias com vigência calendarizada de 18 meses. Através desta alteração, as instituições de crédito ficam autorizadas a abater, na parcela em moeda nacional das reservas, os valores afectos a novas linhas de crédito destinadas a empresas focadas na substituição de importações ou no incremento das exportações nacionais. Estes empréstimos beneficiarão de uma taxa atrelada ao indexante MIMO, acrescida de um spread máximo de 150 pontos base, com o intuito de estimular o tecido produtivo interno.

A trajectória da inflação a curto prazo continuará condicionada pela sazonalidade dos produtos hortícolas e hortofrutícolas com o encerramento do período fresco, a somar à inflação importada, embora as projecções institucionais mantenham o optimismo.

“No médio prazo, prevê-se uma desaceleração da inflação para um dígito”, afiançou o governador.

Do lado da economia real, o Produto Interno Bruto (PIB) registou um crescimento homólogo de 1,7% no segundo trimestre de 2026, recuperando face aos 0,1% apurados nos primeiros três meses do ano, com contributos preponderantes da agricultura, dos serviços e da indústria extractiva. No segmento cambial, o fluxo de divisas manteve-se dinâmico entre Janeiro e Agosto, reflectindo o impacto operacional dos projectos ligados ao gás natural.

Apesar da estabilidade operacional assinalada, a instituição emissora deixou alertas severos quanto à incidência dos atrasos na regularização da dívida pública sobre a liquidez do sistema financeiro. Na nota final de compromisso com a estabilidade macroeconómica, Felisberto Navalha frisou que “o CPMO reafirma o seu compromisso de assegurar a estabilidade de preços”, ficando agendada para o próximo dia 25 de Novembro a derradeira reunião ordinária do órgão no corrente ano.

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