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- 40 anos sem o fundador da nação e sem sinais de esclarecimento das causas da sua morte
O país assinalou, esta segunda-feira, a passagem de 40 anos desde o desaparecimento físico do primeiro Presidente de Moçambique independente, Samora Moises Machel no fatídico acidente aéreo de Mbuzini, na África do Sul. Com as causas e os prováveis autores do atentado, ainda envoltos em uma nuvem de especulações e versões oficiais não só divergentes, como pouco convincentes, o partido Nova Democracia (ND) exigiu uma investigação forense e o esclarecimento público das circunstâncias do assassinato de Samora Machel. Num tom mais crítico e contundente, aquela formação política apontou a corrupção, a exclusão política, as fraudes eleitorais e as desigualdades sociais como provas de que o país se distanciou dos ideais revolucionários de justiça e unidade nacional deixados por Machel.
Conhecido pelo seu discurso forte, presença imponente e liderança natural que se notabilizou não só no campo de batalha, como em várias frentes políticas e geopolíticas, Samora Machel conquistou em vida amigos e inimigos, o que lhe valeria mais tarde um assassinato, quando o seu avião foi intencionalmente desviado na noite de 19 de Outubro e direccionado para embater-se contra a cadeia montanhosa dos Libombos, na região de Mbuzini, no território sul-africano.
A sua liderança, integridade e visão para o país continuam a ecoar no subconsciente dos moçambicanos e ao seu estilo característico, a Nova Democracia não se mostrou alheia à efeméride e aproveitou para denunciar que a riqueza natural de Moçambique contrasta com a pobreza extrema e o desemprego, criticando a falta de transparência em concursos públicos, os esquemas de branqueamento de capitais e o desrespeito pelas necessidades básicas das famílias no acesso à água, energia e transportes.
“A morte de Samora Machel, em Mbuzini, a 19 de Outubro de 1986, permanece uma ferida na memória nacional. As circunstâncias políticas da sua morte exigem rigor histórico, investigação forense e esclarecimento público”, lê-se na nota do partido.
No sector da defesa e segurança, o partido condenou os actos de repressão contra manifestantes, a violação dos direitos humanos e a actuação de estruturas associadas a sequestros e homicídios de opositores, sublinhando que a missão das forças de ordem é proteger e não intimidar os cidadãos.
O partido sublinhou que a memória de Samora Machel continua a simbolizar uma ruptura com o colonialismo, o nepotismo e os privilégios privados, defendendo que o país vive actualmente uma crise transversal que afecta a política, a economia, a defesa e a arquitetura sociocultural.
Para reverter o actual cenário de crise generalizada, o Nova Democracia defende uma “samorização dinâmica” do Estado, que passa pela regeneração ética, garantia de uma justiça independente e respeito escrupuloso pela Constituição.
As cerimónias oficiais que assinalam os 40 anos do trágico acidente aéreo decorreram no memorial de Mbuzini. O evento reuniu autoridades governamentais de Moçambique e da África do Sul, familiares das vítimas, sobreviventes e representantes diplomáticos sob o lema “Samora Machel, inspiração para a consolidação da paz e a conquista da independência económica”.
Chapo defende aprofundamento das investigações
Presente nas homenagens em solo sul-africano, o Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu igualmente a necessidade imperiosa de aprofundar as investigações em redor do desastre, reconhecendo que persistem dúvidas que exigem clareza absoluta e transparência após quatro décadas da tragédia.
“Quarenta anos depois, permanecem as interrogações sobre as circunstâncias da tragédia de Mbuzini. As investigações e esclarecimentos produzidos ao longo destas décadas não eliminaram todas as dúvidas. Quarenta anos depois, a memória exige respeito. As famílias merecem respostas e a história reclama a verdade,” reiterou o Presidente da República.
Reiterando a responsabilidade do Estado em preservar o legado do primeiro Chefe de Estado, Daniel Chapo destacou que o resgate da verdade histórica constitui um dever moral para com os familiares e para com as nações afectadas.



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