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A nomeação de Edson Macuácua para Ministro da Educação coloca-o diante de um dos sectores mais complexos da administração pública moçambicana. Trata-se de uma área marcada por problemas crónicos, acumulados durante décadas, cuja dimensão ultrapassa as capacidades individuais de qualquer governante. Seria, por isso, precipitado avaliar o seu desempenho futuro apenas pela persistência de dificuldades que antecedem a sua chegada ao cargo.
A Educação enfrenta problemas estruturais que vão desde a insuficiência de infra-estruturas escolares, défice de professores, precariedade das condições de aprendizagem e desigualdades territoriais até às fragilidades de financiamento, gestão e qualidade do ensino. São desafios que não desaparecem com a substituição de ministros, porque resultam de opções políticas, limitações económicas e deficiências institucionais acumuladas.
Estes problemas ganham, entretanto, maior dimensão quando a liderança é entregue a alguém cujo perfil não corresponde às exigências do sector. Não parece ser o caso de Edson Macuácua. O seu percurso académico revela disciplina intelectual, investimento contínuo na formação e uma procura persistente pelo conhecimento. É um quadro com preparação académica sólida, característica que constitui uma vantagem para compreender os desafios da Educação. Contudo, importa reconhecer que qualificações académicas, por mais relevantes que sejam, não substituem capacidade de liderança, sensibilidade institucional e competência para transformar diagnósticos em resultados.
A passagem de Macuácua pelo Ensino Superior oferece elementos para esta reflexão. Ficou associado à controversa proposta de fusão de universidades públicas, iniciativa que encontrou resistências e levantou questionamentos sobre a sua pertinência e condução. Independentemente dos fundamentos técnicos da proposta, o episódio demonstrou que reformar instituições exige mais do que identificar problemas e requer diálogo, consensos e capacidade de antecipar consequências.
A sua passagem por Manica também integra um percurso político relativamente diversificado. Todavia, quando procuramos identificar realizações estruturantes que possam ser associadas inequivocamente à sua liderança, encontramos dificuldades. Esta ausência de referências suficientemente marcantes não significa inexistência de trabalho, mas levanta interrogações sobre a capacidade de construir um legado reconhecível.
É, porém, na sua intervenção no processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) que encontramos uma das maiores lacunas do seu percurso. Um processo desta natureza não pode ser avaliado exclusivamente pelo cumprimento de etapas administrativas ou pela entrega de armas. O verdadeiro sucesso depende da reintegração económica e social dos antigos combatentes, da reconciliação e da sustentabilidade da paz.
Embora os resultados do DDR dependam de múltiplos actores, a liderança política não pode ficar dissociada da responsabilidade de demonstrar resultados concretos e duradouros.
O mesmo princípio aplica-se ao Diálogo Nacional Inclusivo, outro processo que exige capacidade de construir consensos e prestar contas. Os atrasos no calendário, a insuficiente divulgação das avaliações periódicas e a ausência de uma matriz pública de tratamento das contribuições levantam dúvidas sobre a transparência e a eficácia do processo. Auscultar cidadãos não basta, é indispensável demonstrar como as suas propostas influenciam as decisões.
Na Educação, Macuácua encontrará problemas que não criou e que dificilmente resolverá durante um único mandato. Mas terá oportunidade de estabelecer prioridades, melhorar mecanismos de gestão e deixar resultados mensuráveis.
O seu maior desafio não será provar que possui qualificações para dirigir o sector. Isso dificilmente constitui matéria de controvérsia. Será demonstrar que consegue converter conhecimento em liderança, liderança em reformas e reformas em benefícios concretos para os cidadãos. Afinal, a história não consagra governantes pelos diplomas acumulados ou cargos ocupados, mas pelas transformações que conseguem deixar.



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