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- Religiões juntam-se para clamar por 2.500 anos de paz em Moçambique
- IMD apela à construção colectiva da paz e destaca importância do Diálogo Nacional Inclusivo
O Presidente da República, Daniel Chapo, manifestou profunda preocupação com a propagação de discursos de ódio, rumores e desinformação, sobretudo nas plataformas digitais, instando as confissões religiosas a utilizarem a sua iinfluência moral para contrariar práticas que sejam susceptíveis de alimentar divisões entre os moçambicanos. O alerta foi emitido durante uma conferência inter-religiosa realizada na cidade da Matola, um evento que integrou a Conferência sobre a Paz e o lançamento da campanha “50×50” promovida pelo Movimento Moçambique Primeiro, onde o Chefe do Estado foi homenageado pelo seu contributo contínuo em prol da paz e da reconciliação nacional.
Evidências
O Movimento Moçambique Primeiro, um fórum que congrega diferentes tradições religiosas, realizou, no dia 22, na Matola, uma conferência nacional inter-religiosa dedicada à reflexão sobre a paz e a reconciliação em Moçambique. O encontro, organizado em parceria com o Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD), reuniu líderes religiosos, representantes de partidos políticos e outros actores da sociedade, numa iniciativa que procura colocar os interesses nacionais acima de quaisquer outros.
Sob o lema “Clamando por 50 vezes 50 anos de paz”, a conferência foi concebida como um espaço de diálogo entre diferentes confissões religiosas e regiões do país, tendo como ponto de partida os 50 anos da Independência Nacional, assinalados num contexto marcado por episódios de violência e outras adversidades que afectaram a história de Moçambique.
O Chefe do Estado, homenageado na ocasião, atribuiu uma particular responsabilidade às lideranças religiosas, cuja proximidade privilegiada com as comunidades locais lhes confere uma capacidade única de atuar na prevenção precoce de conflitos e na promoção ativa de comportamentos ancorados na tolerância e na harmonia social.
“Que a vossa palavra seja sempre um instrumento de esperança, que a vossa autoridade moral esteja ao serviço da dignidade humana e que a vossa acção ajude a transformar a paz numa realidade vivida por cada família moçambicana”, apelou o Chapo.
O Presidente da República recordou ainda que a formação de consciências cívicas e a salvaguarda de valores colectivos dependem de uma acção concertada entre o Estado e as instituições religiosas, reforçando que a arquitetura da paz em Moçambique não pode ser vista como um dado adquirido, mas sim como uma responsabilidade diária e partilhada por todos os cidadãos.
A este respeito, o director-geral do IMD, Hermenegildo Mundlovo, sublinhou durante o evento a relevância do actual processo de Diálogo Nacional Inclusivo, considerando-o uma oportunidade histórica para refletir sobre as causas profundas dos conflitos e encontrar soluções duradouras.
“O actual processo do Diálogo Nacional Inclusivo, lançado por Sua Excelência o Presidente da República, constitui uma oportunidade histórica para reflectirmos, de forma aberta e colectiva, sobre as causas profundas dos nossos conflitos e para identificarmos soluções que fortaleçam a confiança, a reconciliação e a unidade nacional”, defendeu.
Reforçando a visão de que a reconciliação nacional transcende os acordos estritamente políticos e exige a inclusão de todos os segmentos da sociedade, Mundlovo acrescentou ainda todos são responsáveis perla manutenção da paz no país.
“A campanha 50×50, promovida pelo Movimento Moçambique Primeiro, e da qual fazemos parte todos os amantes da paz, constitui um forte apelo à consciência individual e colectiva sobre a responsabilidade que cada um de nós tem na construção de uma paz duradoura e efectiva”, disse
Moçambique Primeiro destaca consenso entre as diferentes tradições religiosas
Por seu turno, Rodrigues Dambo, líder do Movimento Moçambique Primeiro, explicou que a escolha do lema resultou de um consenso entre as diferentes tradições religiosas que integram o fórum. A expressão simboliza o desejo de que os próximos 2.500 anos sejam marcados pela paz, num país cuja trajectória foi atravessada por conflitos armados, ataques militares e calamidades naturais.
“Os religiosos juntam-se para clamar por 50 vezes 50. Acreditamos que não é o religioso que vai resolver, mas todos nós buscamos chamar a sociedade e olharmos para o Criador como aquele que nos pode ajudar”, afirmou Dambo, defendendo uma mobilização colectiva em torno da paz e da reconciliação nacional.
O dirigente sublinhou que a conferência não pretende atribuir exclusivamente às instituições religiosas a responsabilidade de resolver os conflitos do país, mas contribuir para aproximar os cidadãos e promover a reflexão sobre os valores comuns às diferentes crenças. A iniciativa procurou, assim, transformar a fé num ponto de convergência para o diálogo entre actores sociais e políticos.
O Movimento Moçambique Primeiro defende que a construção da paz exige o envolvimento de toda a sociedade e uma mudança na forma como os cidadãos e as instituições colocam os interesses do país nas suas decisões.
“Quando falamos de clamar por 50, estamos a dizer: olhamos para o país em primeiro lugar, que os interesses do nosso país estejam acima de qualquer outro interesse”, declarou Dambo, resumindo o propósito da iniciativa.



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