Mineradora alerta para ameaças combinadas de insurgência e mineração ilegal em Cabo Delgado

DESTAQUE ECONOMIA
Share this

A mineradora Gemfields confirmou publicamente que várias aldeias situadas nas proximidades da mina de rubis de Montepuez, na província de Cabo Delgado, foram alvo de ataques atribuídos a grupos insurgentes desde o final de Abril. De acordo com a empresa, a instabilidade na região provocou a suspensão temporária das actividades de exploração. O comunicado detalha que diversas aldeias localizadas a uma distância entre 15 e 35 quilómetros da Montepuez Ruby Mining sofreram investidas violentas que resultaram na destruição de igrejas e habitações, com um padrão operacional semelhante aos ataques observados noutras zonas da província.

O agravamento das condições de segurança incluiu confrontos armados entre as forças locais e os atacantes na aldeia de Mesa, situada a 29 quilómetros a leste das instalações da principal mina de rubis de Moçambique. Face ao perigo imediato, as operações da infra-estrutura mineira foram interrompidas por um período de cerca de 20 horas, tendo sido retomadas na totalidade a 1 de Maio. Posteriormente, a 13 de Maio, a aldeia de Naniviji, localizada a 25 quilómetros a sudeste da concessão, também foi alvo de incursões que resultaram no incêndio de várias residências.

No mesmo período, as autoridades moçambicanas detiveram suspeitos classificados como falsos terroristas no distrito de Ancuabe. A Gemfields esclareceu que estes indivíduos aproveitaram o clima de medo para imitar as acções dos grupos insurgentes, forçando as populações locais a abandonar as suas habitações com o objectivo de saquear e incendiar as propriedades vazias. A administração da empresa alertou que as ameaças à integridade da concessão transcendem a insurgência, apontando riscos associados à actividade criminosa comum, à forte presença de sindicatos de mineração ilegal de rubis e a fragilidades na aplicação efectiva do Estado de direito.

Apesar das perturbações, as avaliações mais recentes indicam que as condições de segurança registaram uma melhoria moderada, permitindo que a actividade operacional regressasse a uma situação de relativa normalidade, sob estreita e permanente vigilância. Paralelamente à ameaça securitária, a mineradora denunciou a pressão constante exercida pela mineração ilegal, estimando que cerca de 700 mineiros informais entram ilegalmente na área de concessão todos os dias, o que prejudica as taxas de recuperação do minério e coloca em risco a segurança do pessoal. A Montepuez Ruby Mining é detida numa estrutura accionista de 75% pela Gemfields e 25% pela parceira moçambicana Mwiriti.

No plano comercial e financeiro, a empresa divulgou que o leilão de rubis brutos de qualidade mista, realizado no final de Junho, gerou receitas na ordem dos 23,1 milhões de dólares, com a comercialização de 82 dos 89 lotes disponíveis. No que toca às infra-estruturas, a segunda unidade de processamento de minério, operacional desde Setembro de 2025, já superou os níveis de rendimento projectados, prevendo-se a conclusão do seu comissionamento final para o terceiro trimestre de 2026. Por fim, a mineradora revelou que tem pendente uma reclamação de 28,3 milhões de dólares junto do Estado moçambicano em reembolsos de IVA acumulados desde Outubro de 2024, factor que, somado à nova carga fiscal do sector extractivo, tem condicionado o fluxo de caixa da operação.

 

Promo������o
Share this

Facebook Comments

Tagged