Os profissionais de enfermagem vêm desde 2019, junto ao governo, pedindo que lhes seja reconhecido um estatuto de carreira diferenciada. Foi lhes respondido, que aguardassem serenamente por um processo de revisão, e estes viram na auscultação a sua ordem e a outras entidades (Associação Moçambicana dos Magistrados, Ordem dos Engenheiros, Organização Nacional dos Professores e Sindicato Nacional da Função Pública) que se realizou na última segunda-feira, 08 de Novembro, na Assembleia da República no âmbito da apreciação da proposta de Lei que Define as Regras e Critérios para Fixação da Remuneração de Funcionários e Agentes de Estado e demais Servidores Públicos a oportunidade de resposta da sua petição, mas saíram da sessão com muitas dúvidas.
Os profissionais de enfermagem constituem cerca de 50% de gente que presta cuidados de saúde no país. E estão divididos em várias categorias, desde licenciados em enfermagem, técnicos de enfermagem de nível médio e alguns de nível básico porque o país já não está a formar nível básico em enfermagem, e enfermeiros com pós-graduação (especialistas), mais num número reduzido.
“Em algum momento entendemos que o processo que devíamos aguardar é este, e, por isso que mais uma vez reiteramos a nossa gratidão a esta oportunidade, mas estamos a perceber que pelo facto de que anteriormente já vínhamos sendo penalizados a não ter uma carreira de regime especial diferenciada, vamos continuar penalizados nesta nova restruturação”, lamentou Grácio Fenías, da Ordem dos enfermeiros.
E acrescentou que remeterão a Comissão de Plano e Orçamento em escrito, a contribuição da ordem dos enfermeiros e durante as contribuições que os antecederam perceberam que também não tiveram acesso a parte da tabela salarial que indica do ponto de vista quantitativo o que significa a restruturação da tabela salarial única para os profissionais de enfermagem.
“Dentre outros aspectos cingindo-se à esta oportunidade que nos foi conferida para poder tecer algumas observações em relação a essa proposta de revisão, chamar atenção em primeiro lugar a questão da iniquidade, olhamos esta oportunidade de reduzir as diferenças que muitas das vezes não são equitativas e fazem entender que existem funcionários do estado melhores que outros”.
“Os profissionais de enfermagem assistem mais de 80% do volume de demanda no país e estão em contacto continuo, mais próximo e ininterrupto com os pacientes nas unidades sanitárias, 24 horas por dia, e 7 dias por semana, nas zonas urbanas e nas zonas rurais, onde os outros profissionais não estão, eles estão la, mas ate hoje não temos estatuto de carreira diferenciado”, acrescentou Fenías. (Neila Sitoe)

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