ACABEMOS E ROMPAMOS COM O CICLO DA FRELIMO DE UMA VEZ POR TODAS

OPINIÃO

Afonso Almeida Brandão

Dia 16 de Janeiro de 2015— fez este ano exactamente SETE ANOS que o PartidoFRELIMO e Sócia-lista granjeou mais uma vez a maioria absoluta (embora quem está de fora, e olhando os últimos acontecimentos, quer internos, quer externos, tenha alguma dificuldade em acreditar) perante um Eleitorado Amorfo, “comprado”, ignorante da Realidade do que se passa à volta da África Austral, dos PALOP´s e do PanoramaInternacional, deslumbrado ou amedrontado e, acima de tudo, enormemente alienado da Conjuntura Nacional, que batia palmas de contentamento à janela pela salvação e parabenizava uma gestão e os seus executantes, que se revelou a curto trecho, e mal a “poeira assentou”, completamente caótica e catastrófica e no limite criminosa; onde se decretaram sucessivos estados de emergência e desvios de ajuda de outros Países, sem que houvesse uma justificação plausível para tal, como ficou bem patente ao olhar com distanciamento e espírito crítico quanto à letalidade e folclore que foi sendo feito perante um vírus que já foi amplamente reconhecido como não sendo tudo aquilo que foram pintando; onde, prescindindo do mais elementar bom senso, se deixou a situação da Justiça, da Saúde, da Educação,  do Desemprego e da Fome completamente de rastos e a Ladruagem e a Corrupção praticamente activa.

Perante este lamentávelCenário, só equacionando uma total ausência de noção ou um masoquismo frelimista-social visceral e patológico próximo da Síndrome de Estocolmo, aliado a um “alzheimer” em estado avançado colectivo, se explica que um Governo cada vez mais déspota e despesista, onde se avolumam escândalos, roubos, corrupção e polémicas em catadupa, numa “mise en abyme” literal, infinita e com réplicas de perder de vista, tenha podido reunir tamanha votação expressiva, num país cuja última contagem não de votos, mas de situações gritantes e dramáticas de vida — também elas infelizmente uma absoluta maioria — somavam, ainda o ano passado, já cerca de 65% de moçambicanos de pobres, e sem — as tais três Refeições Diárias” sonhadas pelo Ministro Celso Correia —, e outros tantos cidadãos em risco de pobreza, independentemente, e o que é mais crítico de todo este processo, de muitos deles se escalfarem que nem uns desalmados a trabalhar (e por vezes sem receber os ordenados devido, meses a fio sem serem pagos) e de terem uma carga fiscal de Impostos injusta, equiparada aos restantes Países que fazem parte dos PALOP´s, sem que tenham o equivalente ao que lhe é retirado do seu suor e lágrimas em termos de segurança ou qualidade de serviços públicos, cada vez mais diminutos e decadentes, além de outros. E, como se tudo isso já não fosse pouco, um salário totalmente miserável, comparado com outros países em estágios competitivos mais avançados, de que destacamos a vizinha África do Sul, a título de exemplo.

Perante este cenário e a tão fraca qualidade demonstrada diariamente pelos Governantes do aparelho a todos os níveis e dimensões, deve ser de facto perguntado, com perplexidade, como é possível tamanha incompreensão e, diria até, fenómeno terem sucedido??? Mas, estupefacção à parte — e talvez um certo nível de estupefacientes pelo meio também, quer os que foram tomados a jusante por quem votou e precipitaram este desfecho, quer os que diária e recorrentemente se andam a tomar em doses massivas, quiçá para aguentar tantas e tantas situações que nos envergonham e constrangem —, o que é facto é que quem ande na rua e apalpe o pulso à Actual Sociedade Civil Moçambicana, isto é, meça a temperatura, percebe no imediato que a legitimidade e a carta branca, assim como a simbólica autorização para Governar — ou antes desgovernar — estão paulatinamente a caducar. E para prová-lo estão as inúmeras manifestações sectoriais por parte dos Trabalhadores e respectiva População — e até de pedidos feitos à sua porta, por enquanto apenas pacíficos, de Demissão — agendadas, numa altura em que existem arranjinhos e conluios de toda a espécie na Cúpula Parlamentar que blindam esta transição.

A cruz outrora colocada no boletim, signo de confiança e anuência deste tipo de liderança e gestão, posta pela maioria dos Moçambicanos por acção ou inacção, foi agora substituída por um significante oposto, o da intransigência e repúdio das práticas, uma cruz que todo e qualquer cidadão Nacional deve fazer no seu horizonte de intenções eleitorais e da sua Vida, de forma permanente e definitiva, que obrigue a que este Partido possa iniciar um longo processo de reabilitação da ganância e do êxtase do Poder e recentrá-lo naquilo que deveria nortear as suas intenções e as suas acções.

Dito de outro modo, deveremos todos, em bom português, fazer uma cruz, não no famigerado boletim de voto como nos encorajam sempre a fazer, mas antes na ideia e concepção do próprio Partido disfuncionalmente em funções, devendo ser aquilo que doravante preocupe todo o Moçambicano que quer o melhor para o seu País e para os seus Conterrâneos. Uma enorme e densa cruz que demonstra veementemente o quão fartos estamos do comportamento déspota e arrogante da FRELIMO e dos seus Governantes, caracterizado por uma expressão bonacheirona e demasiado “à vontadinha” — a que se junta um tom de desafio provocatório — posta numa qualquer capa de Jornal ou Revista, não condizente, de todo, com as funções de Estado que os seus Membros têm e da representação de todos nós, que se quer não apenas sóbria a todos os níveis, mas também respeitadora e exemplar, nada portanto daquilo que tem sucedido.

Esta cruz deve ser também entendida como o jazigo de um Partido falido e onde a Corrupção, o Roubo e os Abusos de Poder são a regra, onde praticamente todos os seus Membros têm ou terão qualquer tipo de incompatibilidade e onde já se percebeu que não são apenas os frutos, que de quando em vez são substituídos, mas a própria árvore — entendida como o antro pútrido pelo qual todos eles saem — que está totalmente corrompida de forma irreversível.

Há, então — perante todas estas evidências e tendo em conta que cada um de nós teve, tem e terá uma responsabilidade inerente, se não mesmo uma cumplicidade, para com este estado de coisas —, que mostrar qual a sua posição para com toda esta desfaçatez, que não só não dá sinais de abrandar, como parece inclusive ter aumentado o seu ritmo e velocidade para níveis vertiginosos e sem paralelo no passado recente.

Por isso mesmo, e porque tanto o texto como a Governação frelimista-socialista e a permanência destes no Poder já vai vagarosamente longa — se considerarmos que já vem desde 1975 —, devemos todos, Patriotas e Cidadãos Responsáveis, dizer em uníssono: “vamos fazer definitivamente uma cruz na FRELIMO”, da nossa vida e da nossa política, pois já se percebeu, por tudo o que nos últimos tempos se tem apresentado perante nós, que, deste modo, Moçambique e os Moçambicanos não têm futuroalgum e quem achar o contrário é co-responsável e conivente pelo estado a que chegámos por um lado e, por outro, pela arrogância que este Partido da FRELIMO tem vindo a almejar, ousando cada vez mais e superando-se nas acrobacias, algumas delas ousadas, arrojadas e radicais que tem vindo a experimentar, com uma total e desprezível sensação de impunidade e indiferença para com todos aqueles que são afectados pela sua conduta diária e recorrentemente. Acabemos e rompamos com este ciclo de uma vez por todas! Com Determinação e Coragem.

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