Daniel Chapo desloca-se à África do Sul para discutir sobre a violência xenófoba com Ramaphosa

DESTAQUE POLÍTICA
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  • Antes tarde que nunca: Depois de críticas por falta de posicionamento do Governo

Depois de críticas pelo silêncio do Governo perante o recrudescimento da Xenofobia, o Presidente da República, Daniel Chapo, desloca-se, esta terça-feira, a Pretória, onde poderá manter um encontro com o seu homólogo sul-africano, Cyril Ramaphosa, para discutir a escalada de violência xenófoba que está a colocar em risco milhares de estrangeiros, incluindo moçambicanos, na África do Sul.

Evidências

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram grupos de cidadãos sul-africanos a agredir estrangeiros, bem como a vandalizar e saquear estabelecimentos comerciais pertencentes a imigrantes em diferentes pontos daquele país.

Dados oficiais apontam que mais de 300 mil moçambicanos residem na África do Sul, muitos dos quais enfrentam, neste momento, um clima de medo e incerteza. Durante duas semanas, o Governo foi criticado por não ter emitido uma comunicação oficial.

O único pronunciamento, até semana passada, tinha sido da ministra do Trabalho, Género e Acção Social, Ivete Alane, quando a responsável foi interpelada por jornalistas na senda das celebrações do 1º  de Maio,  e garantiu que o governo moçambicano tem acompanhado a onda de ataques xenófobos com atenção e preocupação.

“Estamos muito tristes com o que temos estado a assistir. Sabemos que o maior número de trabalhadores sob controlo do Ministério do Trabalho trabalha nas minas e, até este momento, não temos dados oficiais que nos possam preocupar”, afirmou.

Só esta semana, quase 15 dias depois da eclosão do fenómeno, com epicentro em Durban e Johannesburgo, é que o Executivo se pronunciou oficialmente, anunciando uma visita do Chefe do Estado à África do Sul para reforçar a linha diplomática como o único caminho a seguir neste momento.

A deslocação, comunicada esta segunda-feira, surge num contexto de crescente pressão interna e regional, com partidos da oposição e sectores da sociedade civil a acusarem o Executivo de inércia perante relatos de agressões, saques e ameaças de expulsão de imigrantes em várias cidades sul-africanas, com destaque para Durban.

“Face à situação, os governos de Moçambique e da África do Sul estão em contacto regular com vista a debelar o impacto destas manifestações, neste sentido o Presidente da República, Daniel Chapo, desloca-se hoje (5.05) a Pretória, República da África do Sul, a fim de avaliar com o seu homólogo, Presidente Cyiril Ramaphosa, a presente situação e buscar soluções que conduzam a uma convivência pacífica. No espírito de boa vizinhança, amizade, irmandades histórica existente entre os povos moçambicano e sul-africano, apelamos ao governo da África do Sul que garanta a protecção e segurança dos concidadãos e demais africanos residentes na África do Sul”, disse.

A secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros, Maria de Fátima Manso, confirmou que o Executivo acompanha a situação há cerca de duas semanas, desde o surgimento de movimentos hostis contra estrangeiros indocumentados. O Executivo moçambicano instruiu as missões diplomáticas e consulares na África do Sul a reforçarem a assistência e protecção aos cidadãos moçambicanos residentes naquele país.

A crise ultrapassou, entretanto, as fronteiras moçambicanas. Depois de, a 23 de Abril, o Gana ter reagido com firmeza, a Nigéria convocou o embaixador sul-africano para exigir explicações, num sinal claro de que a tolerância regional está a esgotar-se.

Internamente, o tom também subiu. A Frelimo condenou os ataques, apelando à unidade africana, enquanto o Movimento Democrático de Moçambique propôs a criação de uma comissão parlamentar e a Renamo exigiu uma intervenção urgente junto de Pretória. O Podemos, por sua vez, criticou falhas na resposta diplomática.

“A Frelimo condena firmemente os ataques xenófobos na África do Sul, defendendo o fim da violência contra estrangeiros e apelando à união, solidariedade e respeito entre os povos africanos, em nome da dignidade humana e da integração do continente”, referiu o partido, em comunicado partilhado..

No terreno, a embaixada moçambicana não confirma nenhuma vítima nacional e apela à calma, recomendando aos cidadãos que evitem zonas de risco e mantenham contacto com as autoridades consulares. Ainda assim, a tensão persiste e expõe fragilidades na protecção das comunidades migrantes.

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