Vaticano, União Europeia e Washington unem-se no clamor por justiça pelo homicídio de Dom Osório Citora Afonso

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O violento assassinato de Dom Osório Citora Afonso, Bispo da Diocese de Quelimane e Administrador Apostólico da Beira, desencadeou uma onda de consternação que ultrapassou as fronteiras de Moçambique, transformando-se num foco de intensa pressão diplomática sobre as autoridades nacionais. O Bispo, que exercia também a função estratégica de secretário-geral da Conferência Episcopal de Moçambique, foi encontrado morto no sábado, 06 de Junho, na residência episcopal de Quelimane, com o peito perfurado por múltiplos disparos de arma de fogo. O crime chocou a sociedade moçambicana e motivou reacções oficiais imediatas do Vaticano, da União Europeia e dos Estados Unidos da América, que exigem celeridade, transparência e a efectiva responsabilização dos autores do homicídio.

Luísa Muhambe

A reacção da Santa Sé foi canalizada de forma célere através dos canais de comunicação oficiais do Vaticano. O director da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, recorreu à plataforma Telegram para transmitir o posicionamento do Sumo Pontífice, sublinhando o impacto que o trágico acontecimento teve no seio da liderança da Igreja Católica universal.

“O Papa Leão XIV tomou conhecimento com pesar do grave acto de violência que causou a morte de Sua Excelência, Dom Osório Citora Afonso, Bispo de Quelimane e Administrador Apostólico da Beira, e une-se em oração ao povo da diocese e de Moçambique neste momento de desorientação”, refere a mensagem divulgada pela Santa Sé.

O Pontífice expressou a sua proximidade espiritual e instou a que se encontrem caminhos de consolo para a comunidade católica e para o povo moçambicano, reforçando a urgência de que seja travada a espiral de violência no país. O choque no Vaticano é amplificado pelo percurso do prelado, que possuía ligações directas à cúria romana, tendo trabalhado no Dicastério para a Evangelização entre os anos de 2017 e 2023.

A dimensão diplomática do caso ganhou maior robustez com as tomadas de posição conjuntas das missões estrangeiras acreditadas em Maputo. A União Europeia e os seus Estados-Membros emitiram um comunicado conjunto onde classificaram a trágica morte de Dom Osório como uma “perda profunda para a comunidade católica e para a sociedade moçambicana”. O bloco europeu instou formalmente as instituições de justiça nacionais a garantir que o processo de investigação identifique de forma inequívoca os mandantes e executores do crime, assegurando que estes enfrentem os tribunais.

Alinhada com esta exigência, a Embaixada dos Estados Unidos da América em Moçambique também emitiu uma nota oficial de pesar, onde enalteceu o legado histórico de serviço social e pastoral que o bispo dedicou às comunidades locais. Embora Washington tenha reconhecido e valorizado a mobilização inicial e os esforços prontamente anunciados pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal para o esclarecimento do caso, a diplomacia norte-americana fez questão de reforçar a necessidade imperiosa de que o inquérito em curso seja exaustivo, transparente e estritamente orientado para a responsabilização criminal.

No xadrez político nacional, o Presidente da República, Daniel Chapo, manifestou publicamente o seu profundo pesar, emitindo uma declaração onde considera o assassinato uma perda irreparável não apenas para a comunidade cristã, mas para toda a sociedade moçambicana. Esta reacção do Chefe de Estado reflecte a sensibilidade do momento e a pesada responsabilidade que recai sobre o Executivo e os órgãos de administração da justiça para apresentar resultados conclusivos a curto prazo, numa altura em que as motivações por trás do crime permanecem totalmente desconhecidas.

No plano pastoral, a liderança da Igreja Católica nacional tenta conter o clima de desorientação e revolta entre os fiéis. O presidente da Conferência Episcopal de Moçambique e Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saúre, emitiu uma exortação pública apelando à manutenção da fé e ao fortalecimento da solidariedade fraterna entre os moçambicanos neste cenário de profunda dor.

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