CTA alerta que estabilidade macroeconómica não chega e pede regularização de atrasos do Estado

DESTAQUE ECONOMIA
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O ambiente de negócios  registou uma deterioração de 11,3% no primeiro trimestre de 2026, forçando a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) a exigir reformas estruturais imediatas e decisões corajosas ao Governo para estancar a perda de resiliência do setor privado. O recuo severo foi provocado pelo impacto combinado de cheias devastadoras, severas limitações no acesso a divisas, constrangimentos logísticos no abastecimento de combustíveis e atrasos crónicos nos pagamentos do Estado.

O diagnóstico financeiro foi apresentado esta quinta-feira, 18 de Junho, em Maputo, durante a 20.ª edição do Economic Briefing, revelando que o Índice do Ambiente Macroeconómico caiu de 62%, no fecho de 2025, para 55% nos primeiros três meses deste ano.

Os dados estatísticos partilhados pela agremiação empresarial ilustram que a estabilidade de alguns indicadores de topo não se traduziu em alívio operacional para o tecido empresarial. Embora a inflação oficial tenha permanecido controlada na fasquia dos 4,1% e a taxa de câmbio tenha demonstrado relativa estabilidade, o Índice de Robustez Empresarial regrediu de 28% para 26%, expondo o esgotamento das margens de resistência das companhias nacionais face aos custos operacionais crescentes. O impacto mais destrutivo foi sentido nas províncias de Gaza e Maputo, onde as calamidades naturais danificaram severamente infraestruturas produtivas, equipamentos agrícolas e existências em stock, paralisando linhas de distribuição inteiras e asfixiando o comércio.

Durante a sua intervenção, o presidente da CTA, Álvaro Massingue, traçou um cenário realista sobre o quotidiano do empresariado e sublinhou o peso dos fatores adversos no balanço trimestral.

“O primeiro trimestre foi particularmente desafiante para as empresas, num contexto em que vários factores condicionaram a actividade económica e agravaram os custos de operação. O facto de a inflação estar relativamente controlada não elimina as dificuldades que as empresas enfrentam no terreno. O acesso a divisas, os constrangimentos logísticos e os atrasos nos pagamentos continuam a pressionar a tesouraria e a capacidade de resposta do sector privado,” firmou o dirigente.

Ao analisar as consequências diretas dos choques climáticos nas cadeias de valor, Álvaro Massingue acrescentou que “as calamidades naturais provocaram perdas em infra-estruturas, equipamentos e stocks, com impacto na produção, na distribuição e na capacidade de muitas empresas manterem a sua actividade normal.”

O enfraquecimento contínuo da capacidade de resposta do setor privado motivou um alerta explícito sobre a urgência de financiamento acessível no mercado doméstico.

“A redução da robustez empresarial mostra que a margem de resistência das empresas está a diminuir, sobretudo num contexto em que os custos operacionais permanecem elevados e o acesso ao financiamento continua limitado”, observou o presidente da organização.

Apesar do quadro adverso traçado para o arranque do ano, a CTA mantém uma perspetiva de retoma gradual para os meses subsequentes, desde que haja uma intervenção concertada e estratégica entre o executivo e os parceiros de desenvolvimento. Álvaro Massingue defendeu que a estabilização definitiva depende da remoção imediata das barreiras burocráticas que limitam a competitividade nacional, elegendo a industrialização e as exportações como pilares centrais da agenda económica.

“É fundamental melhorar o acesso ao financiamento, aumentar a disponibilidade de divisas, regularizar os pagamentos em atraso do Estado às empresas e acelerar as reformas orientadas para a competitividade. A estabilidade macroeconómica deve traduzir-se em benefícios concretos para as empresas e para os cidadãos,”, cimentou o líder da CTA.

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