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Economia moçambicana desacelera de 62% para 55% no primeiro trimestre
A economia moçambicana registou uma desaceleração no primeiro trimestre de 2026, com o índice do ambiente macroeconómico a recuar de 62% no último trimestre de 2025 para 55%, refletindo um enfraquecimento das condições gerais de funcionamento da economia e o aumento das preocupações do sector empresarial.
Os dados foram avançados esta Quinta-feira, em Maputo, pelo presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Álvaro Massingue, durante a apresentação do Economic Briefing referente ao desempenho económico dos primeiros três meses do ano.
Segundo Massingue, o período decorreu num contexto particularmente desafiante para o país, marcado pela conjugação de choques internos e externos que condicionaram a atividade económica e afectaram a confiança dos empresários.
Entre os principais obstáculos enfrentados pelas empresas destacam-se os impactos das calamidades naturais que atingiram diversas regiões do país, as persistentes dificuldades de acesso a divisas, as pressões sobre o abastecimento de combustíveis e as incertezas geopolíticas e económicas no cenário internacional.
Apesar deste quadro adverso, alguns indicadores macroeconómicos apresentaram sinais positivos. A inflação manteve-se controlada, situando-se em cerca de 4,1%, enquanto a taxa de câmbio registou relativa estabilidade, contribuindo para uma maior previsibilidade das operações empresariais.
A CTA assinala igualmente que a política monetária continuou a seguir uma trajetória de flexibilização gradual, traduzida na redução progressiva das taxas de juro, uma medida que poderá favorecer o investimento privado e reduzir os custos de financiamento das empresas.
Contudo, os efeitos dos constrangimentos económicos continuam a fazer-se sentir no tecido empresarial. O índice de reposição empresarial reduziu-se de 28% para 26%, sinalizando uma deterioração da capacidade de resiliência das empresas perante os múltiplos choques económicos e operacionais registados durante o trimestre.
De acordo com Massingue, esta evolução está directamente ligada aos prejuízos provocados pelas cheias em infra-estruturas, equipamentos e stocks empresariais, sobretudo nas províncias de Gaza e Maputo. As interrupções nas cadeias de abastecimento também limitaram a circulação de pessoas e mercadorias, comprometendo o acesso a matérias-primas e a comercialização dos produtos finais.
“Apesar dos progressos alcançados em algumas variáveis macroeconómicas, muitas empresas continuam a operar sob forte pressão, o que exige respostas coordenadas para reforçar a capacidade produtiva e a competitividade da economia nacional”, sublinhou.
Perspetivas apontam para recuperação gradual
Apesar da desaceleração observada no primeiro trimestre, a CTA mantém uma perspetiva moderadamente otimista para os próximos meses. A organização acredita que a atividade económica poderá recuperar gradualmente, impulsionada pela manutenção da estabilidade macroeconómica e pela retoma progressiva das actividades produtivas em algumas regiões do país.
Entretanto, Álvaro Massingue advertiu que a concretização desta recuperação dependerá da capacidade de o país enfrentar desafios estruturais que persistem há vários anos.
Entre as prioridades apontadas pelo sector privado figuram a melhoria do acesso ao financiamento, a regularização dos pagamentos em atraso do Estado às empresas, o reforço da disponibilidade de divisas, a modernização das infra-estruturas económicas e a aceleração de reformas destinadas a aumentar a competitividade da economia moçambicana.



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