Ingerência externa visa desestabilizar Moçambique, não ocupar seus territórios

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  • Embaixador de Moçambique em Paris desmonta tese do Estado Islâmico em Cabo Delgado
  • França poderá ser primeiro parceiro bilateral a retomar Apoio Directo ao Orçamento
  • A partir de 2027 poderá haver voos directos entre Maputo e Paris
  • Se a situação de Cabo Delgado ficar controlada, Moçambique vai passar para o próximo nível
  • “Temos de participar dos eventos que a França promove, para vender a imagem de Moçambique”

Cabo Delgado não está em risco de ocupação, mas de saque aos seus recursos. Esta é a principal mensagem deixada pelo embaixador de Moçambique na França, Alberto Maverengue Augusto, em entrevista exclusiva concedida ao Jornal Evidências, em Paris. O diplomata afasta a narrativa de que os grupos armados pretendam criar um Estado Islâmico ou ocupar parte do território nacional, defendendo que a violência é alimentada por interesses externos e internos focados na exploração ilegal das riquezas de Cabo Delgado, como ouro, rubis e outras actividades ilícitas favorecidas pela instabilidade. Para Maverengue, a ingerência estrangeira existe, mas tem como objectivo a desestabilização do país para facilitar o acesso aos recursos naturais. Na mesma entrevista, o embaixador revela que Moçambique e a França trabalham para viabilizar voos directos entre Maputo e Paris a partir de 2027 e admite que Paris poderá tornar-se o primeiro parceiro bilateral a retomar o apoio directo ao Orçamento do Estado moçambicano, um sinal que poderá incentivar o regresso de outros doadores. O diplomata faz ainda uma avaliação das relações bilaterais, sustenta que o interesse francês em Moçambique vai muito além dos hidrocarbonetos, lamenta a fraca promoção internacional do turismo nacional e aborda o impacto da isenção de vistos, o ambiente de negócios, o investimento francês e as oportunidades para aprofundar a cooperação económica entre os dois países. Acompanhe na íntegra esta entrevista que oferece uma leitura abrangente sobre o presente e o futuro das relações entre Moçambique e França, num momento em que ambos os países procuram aprofundar a cooperação política, económica e estratégica, enquanto a nível dos países francófonos (África Central) aquele país europeu vai assistindo à sua influência beliscada.

Nelson Mucandze, em Paris

Evidências: Senhor Embaixador, a França é, através da TotalEnergies, um dos maiores investidores em África e concretamente, em Moçambique. A partir desta relação forte, fale-nos do actual estágio desta cooperação entre Moçambique e França, olhando também para as principais áreas para além e hidrocarbonatos.

Alberto Maverengue AugustoA França é um parceiro estratégico de Moçambique. Temos várias áreas de cooperação. Claro, certamente, quando falamos da França ultimamente, só pensamos nos hidrocarbonetos, mas não é só nos hidrocarbonetos, porque antes da TotalEnergies nós já cooperávamos com a França em vários domínios. Certamente que o projecto da Total, em termos de volume financeiro, é o maior, mas lembramos que a reabilitação do Aeroporto de Maputo foi financiada pela França, que apoiou igualmente o Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água (FIPAG).

Mas temos vários projectos. Há o apoio ao Orçamento do Estado (OE) que, em princípio, regressa.

É já uma garantia?

– Os parceiros tinham se retirado dessa área de apoio ao OE depois do chamado caso das dívidas ocultas, mas a França, sim, poderá ser o primeiro país a voltar a dar apoio ao orçamento. Vão começar com um valor simbólico, mas já é bom para nós, porque vai motivar ou vai cativar outros parceiros, outros países, principalmente dentro da União Europeia.

Estamos também agora a apostar bastante na área de formação. Não só formação no âmbito do projecto da TotalEnergies, mas formação geral de estudantes moçambicanos que anualmente vêm à França para adquirir conhecimento. Fora disso, estamos a explorar outros sectores, temos que apostar também no turismo. A França tem uma larga experiência na área de turismo, aliás, já recebe anualmente mais de 60 milhões de turistas. Então, é um país que acredito que provavelmente poderá ser o terceiro país do mundo em termos de captação de turistas.

O projecto da TotalEnergies (Mozambique LNG Área 1 da Bacia do Rovuma, Cabo Delgado) provavelmente seja apenas um projecto, mas para nós é uma esperança de desenvolvimento do país. E não só, traz com ele toda a cadeia de valores que poderá beneficiar várias empresas moçambicanas.

Presidente da República visita França este ano 

O que dificulta a rápida inserção de empresas nacionais neste mercado?

– Temos tido dificuldade de posicionamento a nível das empresas moçambicanas. O que a França pede são quantidades enormes (e consistentes) e as empresas moçambicanas ainda não conseguem juntar esforços para concorrer em grupo. Então, temos perdido oportunidades a favor da África do Sul, cujas empresas concorrem em grupos.

Em princípio, o Presidente Chapo este ano vai efectuar uma visita oficial à França. É uma boa oportunidade de fazer uma revisão de alguns acordos que temos e ir melhorando, porque às vezes assinamos um acordo pensando naquele momento, mas agora teremos que ver que tipo de acordos teremos que rever. No fundo, é basicamente isso.

Estamos a falar de que natureza de acordos? Que oportunidades?

– Devemos estar presentes nas feiras. A feira do turismo, a feira da agricultura, a feira de tecnologia, feira de mobiliário. Há várias feiras que não é necessário que seja o Governo a participar, mas as empresas moçambicanas têm que participar. Se queremos internacionalizar as empresas moçambicanas, só nessa base é que poderemos ter oportunidades, especialmente nessa área de turismo. Temos várias feiras na França, mas tem duas em Paris que são a Feira Mundial do Turismo, que acontece em Paris, e a Feira Internacional das Agências de Viagens. Os nossos vizinhos, Botsuana, Tanzânia, Maurícias, África do Sul, estão sempre lá. Então, devemos fazer isso, mas isso cabe à Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), não é o Governo que deve fazer isso. A CTA é que tem que mobilizar as agências ou empresas ligadas ao turismo para participarem nessas feiras.

Na agricultura conseguimos exportar um pouco de líchias e piripiri. São os produtos que neste momento estamos a exportar e um pouco de abacate. Mas poderíamos fazer mais… Entra também um pouco de marisco através de uma empresa francesa de pesca, mas podíamos expandir,  à semelhança da Namíbia, país que está a exportar carne para a França.

Air França retoma ambição de voar para Moçambique

Se analisarmos a partir das necessidades estratégicas da própria França e cruzarmos com aquilo que Moçambique tem para oferecer, em que áreas existe uma complementaridade onde Moçambique pode responder a défices ou desafios que a França enfrenta actualmente?

– Moçambique, no futuro, vai fornecer gás à França. A França depende muito da Rússia e com a ruptura com a Rússia, certamente o mercado disponível de Moçambique poderá depois ser um ponto de recepção e distribuição para a Europa.

Agora, nós podíamos vender produtos que a França não tem. Nós podíamos vender mangas, nós podíamos vender bananas, frutas tropicais. A França importa fruta tropical. Importa mais dos países de língua francesa e da América Latina também. Madagáscar mete muitas líchias aqui na França e mete muito camarão. E provavelmente aquele camarão é de Moçambique, é do Canal de Moçambique, porque Madagáscar não é um país famoso em termos de mariscos, mas eles exportam camarão para a França.

Nós temos muito e os produtos moçambicanos podem vir directamente ou utilizamos Mayotte, que é mais perto, são quase 20 horas de barco. Então, depois dali podiam seguir para a França, uma vez que não temos voos directos. Mas, penso que no próximo ano a Air France vai voar para Moçambique. Não todos os dias, mas mesmo que seja só duas vezes por semana, já seria muito bom.

É uma possibilidade ou é um dado adquirido?

– É quase um dado adquirido, porque já até abriram conta em Moçambique e tudo já estava preparado. Houve a força maior da Total porque, na perspectiva deles, a maior parte seriam funcionários da Total. Então, agora com o retorno da Total, eles estão novamente a reactivar o processo.

Então, estamos a dizer que essa ambição de ligar a França a Moçambique com voos directos tem a ver mesmo com o volume dos interesses franceses em Moçambique? Não estamos a falar do fluxo dos moçambicanos que vêm para cá?

– Sim. Moçambicanos são muito poucos os que visitam a França. Até à altura em que nós emitíamos vistos, pelo menos tínhamos por ano 10 a 12 mil turistas franceses para Moçambique. Agora, com a abolição de vistos, é possível que devesse aumentar o número, mas eu já não tenho os dados da migração para aferir. Nós tínhamos dados porque emitíamos os vistos aqui.

Retorno da Total está a cativar investidores franceses a voltarem para Moçambique

Falando desse retorno, como é que a situação de Cabo Delgado influencia a percepção dos investidores franceses?

– Quando a Total saiu, de facto, criou um retrocesso não só para a própria Total, mas para os outros investidores; quer dizer, sentiram que havia muita insegurança. E o retorno também está a cativar os investidores para Moçambique, porque Cabo Delgado está dentro de Moçambique, Cabo Delgado não é Moçambique todo. Mas as pessoas, quando ouvem Cabo Delgado, pensam que é já todo o país que está em guerra. E mesmo em Cabo Delgado, eu digo às pessoas: em Pemba, a pessoa nem sente, não sente que há uma insegurança. Agora, existem zonas específicas em que há um pouco de instabilidade, mas não é todo Cabo Delgado.

Volto a insistir na questão de Cabo Delgado. É neste momento uma das maiores ameaças, que quando removida, pode trazer ganhos significativos, afinal como podemos ultrapassar este momento de conflito?

Eu acho que temos duas vias de resolver: a via militar, mas eu penso também que temos que começar a procurar quem são essas pessoas. Se são moçambicanos, vamos falar com os moçambicanos. Não temos outra solução. A via militar é o que está disponível neste momento, mas no futuro temos que pensar em com quem podemos falar.

O Presidente comentou sobre isso na semana passada, a possibilidade do diálogo…

– Sim, ficámos 16 anos com a RENAMO, chamávamos de bandidos e agora estão aí no Parlamento. Então, temos que arranjar uma forma de procurar essas pessoas. Porque eu tenho a certeza de que algumas pessoas são conhecidas lá em Cabo Delgado porque têm famílias lá.

“Não acredito que queiram criar um Estado Islâmico em Cabo Delgado”

Sobre as motivações, descarta a possibilidade de ingerência externa?

Não, a ingerência externa existe. Existe porque conseguiram ver que há um espaço fértil em Moçambique, então começaram a financiar a operação. Mas essa ingerência externa não é a ingerência de querer ir ocupar Moçambique; é mesmo a de querer desestabilizar. O que os terroristas mais querem é tirar recursos dali de Cabo Delgado. Não acredito que queiram criar um Estado Islâmico, mas eu não acredito nisso. As pessoas querem tirar ilegalmente o ouro, querem tirar rubis, e há muito aproveitamento nessa situação. Mesmo internamente, acho que há muito aproveitamento dessa situação de Cabo Delgado, que até pode interessar a certas pessoas que continue como está, porque assim entra droga ou conseguem exportar coisas de Moçambique sem controlo formal.

Acho que, com a formação que estamos a ter de novos quadros a nível da defesa, poderá certamente melhorar o desempenho das nossas Forças de Defesa e Segurança. Temos tido apoio também dos franceses nessa área e agora estamos a pensar em estender para outra área, como o SERNIC, para a investigação e laboratórios, porque nós já temos equipamentos do SERNIC, mas se for para testes de DNA, ainda temos limitações.

“Embaixadas perderam ‘autonomia’ financeira com abolição de vistos”

Senhor Embaixador, voltando um pouco, qual foi, a nível interno da Embaixada de Moçambique na França, o impacto imediato da abolição de vistos?

– O impacto imediato foi o impacto financeiro. Nós tínhamos alguma almofada no nosso orçamento que era uma almofada de quase 200 mil euros. Para além daquele orçamento do Estado, os vistos davam mais ou menos quase meio milhão de euros em termos declarados. Desse valor, 60% ia para o Estado e 40% ficava nessa almofada que nós tínhamos aqui. E, com essa abolição, todas as embaixadas perderam isso, não só a embaixada na França.

Saindo um pouco dos investimentos e da relação entre os dois países. Sendo diplomata, pelo seu percurso já viajou e representou o país em vários Estados. Como é que olha para a projecção de Moçambique no mundo nos últimos 30 anos?

Moçambique é conhecido, especialmente depois da guerra. Mesmo com a situação de Cabo Delgado, que nos belisca um pouco, continuamos de cabeça erguida. Penso que Moçambique, nos últimos 30 anos, é o único país que foi eleito membro não permanente do Conselho de Segurança das ONU, por quase 100% dos membros. E isso significa muito, porque há países que nem conseguem ser eleitos. Então, quando um país é eleito com quase 100%, é um marco importante para a sua história.

Moçambique, na África Austral, já foi o centro de consulta. Nenhum dirigente europeu ou americano ia para a África Austral sem passar por Moçambique. Pronto, foi em fases diferentes. Na altura do Presidente Chissano, projectou a diplomacia do país.

Agora acho que estamos a recomeçar. O Presidente Chapo tem feito várias visitas a vários países, tem participado em várias conferências. É assim mesmo que devemos caminhar neste mundo globalizado. Fomos eleitos agora para o ECOSOC nas Nações Unidas. Aqui na França, somos membros do conselho executivo da UNESCO. Somos membros do conselho do comité de oceanografia. Estamos a ser reconhecidos como um país que dá o seu contributo para o mundo e para as organizações internacionais. Nós temos que continuar com essa projecção da boa imagem do país.

Penso que, se a situação de Cabo Delgado ficar controlada, Moçambique vai passar para um outro nível. E até digo mais, Moçambique vai ser um país rico. Isso não é só potencialidade, porque eu sempre digo assim: ‘o potencial real não se come’. É a realidade, nós vamos ser ricos dentro de 10 anos. Aliás, os próprios franceses também têm nos felicitado: ‘Vocês vão ser ricos mesmo’. Eu acho que, se a Total começar a produzir e os americanos tomarem uma decisão favorável também de explorar o recurso, não há nada que nos vá impedir de sermos ricos. Quer dizer, sermos ricos significa bons hospitais, boas escolas, boas estradas, meios de transporte. Aquilo que o Estado deve oferecer ao seu cidadão.

O nosso maior problema é que não estamos a produzir. Na agricultura, nós temos terrenos férteis, temos rios que não acabam, mas ainda não conseguimos. Claro, isso não é só o Governo, mas mesmo assim o Governo subsidia.

Precisa de infra-estruturas que são do Governo para escoar esses produtos. E também temos de pensar mesmo em subsidiar; aqui na Europa, todos os agricultores são subsidiados para produzir, porque é comida e nós todos os dias comemos.

“…França está, neste momento, quase como um avião que está à procura de uma pista para aterrar”

Qual é o principal resultado concreto que os moçambicanos podem esperar da Embaixada de Moçambique em França nos próximos anos e como será possível medir esse impacto?

– Nós queremos ter mais turistas franceses para Moçambique. Queremos ter uma cooperação na área da defesa mais forte. Assinámos ainda em 2023 alguns acordos, mas a implementação ainda não está avançada. Então, nós queremos que os acordos assinados sejam devidamente implementados, porque não faz sentido continuarmos a assinar acordos, aliás, não digo só com a França, mas a nível dos outros países. Mas nós com a França queremos ver se conseguimos. Eles também estão interessados em que aquilo que assinámos seja implementado.

Agora, com a visita do Presidente, queremos ver se conseguimos mais algumas coisas, como equipamento militar e equipamento hospitalar que possam fornecer. Aqui na França, de dois em dois anos, eles fazem a renovação do armamento porque querem fabricar, a indústria não pode parar. Agora a maior parte foi para a Ucrânia, sim, mas penso que até temos aí uma janela aberta que podemos já aproveitar.

Nos últimos anos, todos os Presidentes moçambicanos visitaram a França. O Presidente Guebuza visitou acho que duas vezes, o Presidente Nyusi esteve cá duas vezes, agora o Presidente Chapo.

Aliás, a própria França, eu costumo dizer que está quase como um avião neste momento que está à procura de uma pista para aterrar. Como estão a ter dificuldades na África Central, agora estão concentrados na África Austral. Nunca tinha imaginado um dirigente francês ir ao Malawi ou à Zâmbia, na Zâmbia até estão a dar apoio ao orçamento, ou um dirigente francês ir ao Zimbabwe. Porque antigamente era a África do Sul, Madagáscar e Moçambique. Nós ainda sempre tivemos uma boa relação com a França, mas os nossos vizinhos basicamente não tinham relações com a França. Mas com a questão do Burquina Faso, do Mali, agora eles querem a pista mais próxima para aterrar e já acham que Moçambique é o ponto de entrada para toda a África Austral. Também têm a África do Sul como parceiro estratégico, mas olham para Moçambique como um país para investir.

É possível separar a TotalEnergies da França no que diz respeito aos interesses?

-Não é possível separar a TotalEnrgies e a França, é difícil. Aqui as pessoas consideram o CEO da Total como Vice-presidente da França, o poder de influenciar na política do país é grande. É difícil separar a Total da França; quer dizer, a Total é uma grande empresa francesa, a Electricidade da França (com presença em Moçambique) também é uma grande empresa francesa. Isso é a França, você não pode separar a França da França.

Senhor Embaixador, a França realiza eleições presidenciais no próximo ano, e o Presidente Emmanuel Macron, que desempenhou um papel importante no reforço das relações com Moçambique, não poderá recandidatar-se. Até que ponto uma mudança de liderança poderá influenciar a cooperação entre os dois países?

– Sim. Na área comercial, acho que vai continuar. Nós não seremos tão afectados na imigração porque os moçambicanos não emigram para a França, não temos essa tendência. Se emigramos, é para a África do Sul, para Portugal. Mesmo na Alemanha, já se criou uma base porque, na altura da RDA, nós tínhamos muitos moçambicanos que iam trabalhar lá e alguns acabaram ficando. Aqui na Europa, primeiro é Portugal em termos de comunidade moçambicana, e depois é a Alemanha.

Nós aqui na França somos muito poucos; os meus colegas perguntam-me e eu digo: ‘Moçambicanos aqui são em número de 200, 220?’. E eles espantam-se porque eles têm um milhão. Vai mudar um pouco a política de imigração, certamente, mas nós não vamos ficar afectados porque não somos imigrantes na França. Mesmo na Europa em geral, muitos trabalharam em Portugal, mas também não era tanto a nossa tendência. Nós gostamos de Moçambique. Se a pessoa me perguntar: ‘Mas onde é que gostaria de viver?’, eu só digo Moçambique. Não há outro país onde eu viveria senão Moçambique. Apesar das nossas dificuldades, continuamos a ter a nossa bela vida lá.

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