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Moçambique e Brasil perspectivam a criação do primeiro centro de hemoderivados do país, uma unidade destinada ao processamento de componentes do sangue para utilização em diversos tratamentos médicos, com o objectivo de reforçar a capacidade de resposta do Sistema Nacional de Saúde (SNS).
A perspectiva foi anunciada esta terça-feira, em Maputo, pelo ministro da Saúde de Moçambique, Ussene Isse, no âmbito da visita oficial do seu homólogo brasileiro, Alexandre Padilha, durante a qual os dois países reafirmaram novos compromissos de cooperação no sector da saúde.
Segundo Ussene Isse, a criação do centro representa um passo estratégico para o fortalecimento do sistema de saúde moçambicano, permitindo ao país desenvolver capacidade própria para o aproveitamento de componentes do sangue utilizados no tratamento de várias doenças.
“Um dos aspectos importantes que lançamos nesta cooperação é a criação do primeiro centro de hemoderivados. São componentes do sangue importantes para salvar vidas e o Brasil tem uma experiência enorme sobre este aspecto. Também manifestou a sua disponibilidade para ajudar Moçambique a implantar o primeiro centro de hemoderivados”, afirmou.
O governante explicou que, para a concretização deste projecto, será necessário reforçar a organização do sistema nacional de sangue, através da aprovação de uma política nacional e da criação de estruturas especializadas que assegurem a recolha, processamento e utilização segura dos componentes sanguíneos.
“Não temos ainda o Serviço Nacional de Sangue, mas precisamos avançar um pouco mais, primeiro com uma política nacional de sangue, mas também com uma unidade, um centro de hemoderivados, dos componentes do sangue, que será um grande ganho para salvar vidas no nosso país”, acrescentou.
Por sua vez, o ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, assegurou que o seu país continuará a apoiar Moçambique no fortalecimento do sistema nacional de saúde, não apenas na área dos hemoderivados, mas também na formação de profissionais, na modernização tecnológica e na expansão da produção local de medicamentos e vacinas.
“Estaremos junto do povo de Moçambique, do Ministério da Saúde de Moçambique e do Governo de Moçambique para os próximos passos desta cooperação”, afirmou.
Padilha explicou ainda que a cooperação entre os dois países inclui o fortalecimento da capacidade regulatória de medicamentos, através da colaboração entre a Autoridade Nacional Reguladora de Medicamentos de Moçambique e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) do Brasil, bem como a mobilização de empresas brasileiras interessadas em investir na produção de medicamentos e vacinas em território moçambicano.
Além do centro de hemoderivados, os dois países anunciaram novas áreas de cooperação, incluindo o apoio aos centros de oncologia, a formação de especialistas em neonatologia, neurocirurgia e ortopedia, a expansão dos bancos de leite humano para as regiões Centro e Norte do país e o fortalecimento da Escola de Saúde Pública de Moçambique.
A cooperação entre Moçambique e Brasil no sector da saúde tem mais de cinco décadas e abrange iniciativas de formação de recursos humanos, investigação científica, desenvolvimento institucional e melhoria das infra-estruturas sanitárias, com destaque para a parceria entre o Ministério da Saúde de Moçambique e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), considerada uma das principais instituições de saúde pública do Brasil.



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