Ministro troca fato por pijama cirúrgico e lidera seis operações com sucesso na Beira

DESTAQUE SAÚDE
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  • Ussene Isse em missão cirúrgica após o conselho coordenador
  • Paciente submetida à remoção de tumor de 1,27 kg poderá ter alta esta terça-feira

O ministro da Saúde, Ussene Isse, trocou o fato por um pijama cirúrgico e liderou, no sábado, uma equipa médica que realizou com sucesso seis cirurgias no Hospital Central da Beira. A missão, que culminou com a remoção de um tumor de 1,27 quilogramas do pescoço de uma paciente de 65 anos, foi preparada na noite de sexta-feira, quando o ministro, médico-cirurgião, deslocou-se à unidade sanitária para observar os doentes e avaliar as intervenções previstas.

Reginaldo Tchambule

O ministro da Saúde, que nas suas várias aparições públicas tem apelado aos profissionais do sector para uma maior humanização do atendimento hospitalar e para que sejam parte do legado que está a transformar os hospitais, fez jus à máxima de que é preciso “liderar pelo exemplo”.

Em vez de se limitar a recomendar aos médicos e técnicos de saúde que estejam mais próximos dos doentes, Ussene Isse saiu do discurso e entrou no bloco operatório, assumindo directamente a condução de uma equipa médica que, no sábado, realizou seis cirurgias com sucesso.

O gesto aconteceu poucos dias depois de o próprio ministro ter colocado a qualidade e a humanização dos serviços no centro da LI Sessão do Conselho Coordenador de Saúde. Ao trocar o fato por um pijama cirúrgico, Isse levou para o bloco operatório a mensagem que vinha defendendo nas sessões de trabalho: a mensagem de que a humanização não deve ficar confinada aos discursos, documentos ou reuniões do sector, mas traduzir-se em actos concretos que melhorem a vida dos pacientes.

Mais do que supervisionar à distância, o ministro, que é médico-cirurgião, juntou-se à equipa local, operou e partilhou conhecimentos com os profissionais que diariamente asseguram o funcionamento do Hospital Central da Beira.

A iniciativa permitiu, simultaneamente, responder a casos clínicos que exigiam intervenção especializada e criar uma oportunidade de aprendizagem prática para médicos residentes, transformando a missão numa combinação entre assistência médica, formação e liderança pelo exemplo.

Uma das beneficiárias é uma paciente, proveniente do distrito de Marromeu, que vivia há cerca de cinco anos com o tumor no pescoço. A intervenção, que durou aproximadamente três horas, permitiu a remoção de 1 quilo e 270 gramas da glândula tiróide, tendo decorrido com sucesso. A paciente apresenta uma evolução clínica favorável e poderá ter alta hospitalar nesta terça-feira.

Isse leva Agenda Nacional de Saúde para o bloco operatório

Para Ussene Isse, a missão cirúrgica traduz uma orientação do Presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, para a implementação de uma Agenda Nacional de Saúde e de Proximidade, com foco na aproximação dos serviços ao cidadão e na melhoria da qualidade da assistência.

“Estamos a cumprir uma recomendação de sua Excelência Presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, que orientou o sector para que fizéssemos e implementássemos uma Agenda Nacional de Saúde e de Proximidade. Saúde próxima do povo e com o povo”, destacou.

Com 55 anos e mais de três décadas de experiência como especialista em cirurgia geral, o ministro explicou que a iniciativa também responde ao compromisso de humanização dos serviços de saúde, defendido durante a LI Sessão do Conselho Coordenador de Saúde.

“Por um lado, saúde próxima do povo e com o povo, mas, por outro lado também, dedicar aquilo que a gente pode doar para os que de facto precisam, que é o amor ao próximo. E isto enquadra-se naquela agenda nacional nossa que tem a ver com qualidade e humanização, que foi o lema do nosso Conselho Coordenador”, afirmou.

Isse defendeu que os profissionais de saúde devem colocar os seus conhecimentos e experiência ao serviço dos cidadãos, sobretudo daqueles que precisam de cuidados especializados.

“Esta é a nossa missão como profissionais de saúde, contribuirmos para salvar vidas. No Ministério da Saúde, o nosso maior valor é a vida”, sublinhou Isse, acrescentando que o modelo de intervenção deverá ser replicado nas unidades sanitárias por onde passar o ministro, sempre que existam condições para a realização de cirurgias.

Uma missão que começou antes do bloco operatório

A missão cirúrgica começou na noite de sexta-feira, poucas horas depois de Ussene Isse dirigir o encerramento da LI Sessão do Conselho Coordenador de Saúde, realizada na Cidade da Beira sob o lema “Por um Serviço Nacional de Saúde de qualidade e humanizado para todos”.

Na ocasião, o ministro deslocou-se ao Hospital Central da Beira para observar os doentes planificados para cirurgia no sábado. Médico-cirurgião, avaliou pessoalmente os pacientes, inteirando-se do seu estado clínico e dos procedimentos preparatórios para as operações.

A visita permitiu preparar, com a equipa local, as intervenções cirúrgicas previstas para o dia seguinte, num exercício que combinou a avaliação clínica dos doentes com a transmissão de conhecimentos aos profissionais da unidade sanitária.

No sábado, a avaliação dos doentes deu lugar à intervenção directa no bloco operatório. Isse trocou o fato por um pijama cirúrgico e liderou a equipa médica que realizou seis cirurgias com sucesso, numa missão que combinou assistência especializada e formação prática.

Para além da paciente de Marromeu, outros cinco pacientes, com diferentes enfermidades, entre as quais cancro da mama, foram igualmente operados com sucesso no sábado.

Outros cinco pacientes operados com sucesso

As intervenções tiveram também uma componente de formação, tendo constituído uma oportunidade de aprendizagem prática para médicos residentes, que acompanharam os procedimentos e beneficiaram da transmissão de conhecimentos e experiência durante as cirurgias.

A chefe da equipa de cirurgia do Hospital Central da Beira explicou que a paciente de Marromeu apresentava uma patologia com mais de cinco anos de evolução e um tumor de dimensão considerável, cuja remoção exigia uma intervenção especializada.

“Quando chegou aqui às nossas unidades sanitárias, nós, vendo a dimensão do problema, vendo o tumor, a extensão, a localização, como sabíamos que Sua Excelência, que é o nosso professor profissional, vinha para cá, então queríamos esperar para poder fazer essa cirurgia com ele, para poder aprender muito mais ainda”, destacou.

Segundo a médica, a presença do ministro constituiu uma oportunidade para a equipa local realizar a cirurgia sob a sua orientação e aprofundar conhecimentos técnicos.

Refira-se que na manhã deste domingo, Ussene Isse regressou ao Hospital Central da Beira para acompanhar a recuperação da paciente, inteirando-se pessoalmente da sua evolução clínica após a intervenção cirúrgica.

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