Festival dos Madgermanes junta comunidades em Moçambique e Alemanha

CULTURA DESTAQUE
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Decorreu no último fim-de-semana, o Festival Madgerman Fest, em Maputo e na cidade de Wiesbaden, capital do Estado de Hessen, na Alemanha, numa iniciativa destinada a valorizar a história dos moçambicanos que trabalharam na antiga República Democrática Alemã (RDA), promover o intercâmbio cultural e reforçar os laços entre as comunidades dos dois países.

A primeira edição do festival foi promovida pela organização sociocultural e humanitária AfroMIGO e.V., em parceria com a Embaixada de Moçambique em Berlim e o Governo do Estado alemão de Hessen. A iniciativa enquadra-se igualmente nas celebrações dos 50 anos de cooperação bilateral entre Moçambique e Alemanha.

Em Maputo, a programação teve lugar no Jardim dos Madgermanes, a partir das 14 horas, enquanto na Alemanha as actividades decorreram em Wiesbaden, entre as 17 horas de sábado e as 4 horas de domingo. O programa foi marcado por momentos de confraternização, música e participação de membros das comunidades moçambicana e alemã.

Entre os artistas que participaram do festival estiveram Zizi e Modou Seck, do Senegal, Dasha, de Cuba, além dos moçambicanos Octávio Rainde e Mabluck. A animação contou ainda com DJ Bangala, DJ Mano Zitolas e DJ Denis, entre outros convidados.

Segundo Octávio Rainde, músico, compositor e líder da AfroMIGO, a realização do festival surgiu depois de auscultações junto da comunidade moçambicana na Alemanha, que manifestava a necessidade de iniciativas capazes de aproximar as pessoas e preservar a memória da contribuição dos moçambicanos para o desenvolvimento daquele país.

Rainde defende igualmente o reforço do intercâmbio entre Moçambique e Alemanha através de projectos concretos, considerando que ainda existe uma parte das novas gerações de imigrantes que desconhece a contribuição dos moçambicanos que trabalharam na antiga RDA.

As relações entre Moçambique e Alemanha remontam ao período da independência nacional, em 1975, e abrangem áreas políticas, económicas e culturais. O comunicado destaca que os dois países assinalam este ano 50 anos de relações diplomáticas formais, num contexto em que continuam a existir comunidades moçambicanas na Alemanha, incluindo estudantes e antigos trabalhadores.

Para além da dimensão cultural, o festival serviu também como espaço de reflexão sobre as reivindicações dos antigos trabalhadores moçambicanos na Alemanha. De acordo com a organização, a comunidade continua a defender a recuperação dos valores que considera ainda em falta, mantendo contactos entre os Madgermanes residentes na Alemanha e os que permanecem em Moçambique.

A organização afirma que o Madgerman Fest pretende tornar-se num projecto permanente e expandir-se para outros locais onde existam comunidades de Madgermanes, procurando combinar cultura, memória, intercâmbio e discussão sobre os desafios que continuam a marcar estas comunidades.

Historicamente, Historicamente, “Madgermanes”  são conhecidos os mais de 20.000 cidadãos moçambicanos que trabalharam temporariamente na RDA, a extinta Alemanha de Leste, e que regressaram a Moçambique depois da queda do muro em 1989.

20 Anos depois da queda do muro de Berlim e 19 anos depois da reunificação da Alemanha, os “madgermanes” continuam a manifestar-se todas as quartas-feiras, no Jardim 28 de Maio, em pleno centro de Maputo.

Queixam-se da falta de apoio, por parte do governo moçambicano, e sobretudo – reivindicam o pagamento das quantias em dinheiro – parte dos salários e contribuições para a segurança social – outrora transferido pelo governo da RDA para o governo de Moçambique…

Os “madgermanes” são considerados um dos grupos mais activos da sociedade civil moçambicana. Quem passa pelo Jardim 28 de Maio em Maputo vê várias bandeiras alemãs e, por vezes, ouve as vozes bem altas destes homens que reivindicam o que consideram os seus legítimos direitos.

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