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Alexandre Chiure
O professor esteve, nos últimos dias, no centro das atenções por ocasião da passagem do seu dia (12 de Outubro). Professor como chefe de família. Aquele que culpa o Estado por não poder oferecer melhor qualidade de vida à sua família porque este não lhe paga horas extraordinárias acumuladas desde 2023.
Que não pode reformar a sua casa porque o Estado não está a honrar com as suas promessas de pagamento. Os seus sonhos de comprar viatura, investir num projecto para multiplicar o dinheiro ficam adiados pelas mesmas razões. Que, em suma, a sua vida está como está pelos mesmos motivos.
Professor como gestor. Aqui todo o protagonismo vai para a ex-ministra da Educação e Cultura. Samaria Tovela disse verdades atrás de verdades sobre a situação financeira do professor, este que não gostou e considerou, sem razão, as suas palavras com uma ofensa.
Ela falou e foi, em seguida, demitida do posto. Terá sido por isso que foi afastada do poder? Pode ser que sim, pode ser que não. Alguma coisa diz-me que foi uma simples coincidência. Pessoas próximas dela entendem que foi em resposta ao seu pedido.
É real que os professores andam cheios de dívidas e estão sufocados. Uma reportagem televisiva que passou há dias num dos canais privados confirmou tudo. Samaria tinha razão.
Há professores que contraíram dívidas em tudo o que é canto e acima da sua capacidade de pagar. Mas porque é que só eles é que estão nesta situação de endividamento e os outros funcionários de Estado, não? Um curioso caso para a investigação.
Estranho é o facto de instituições de crédito continuarem, mesmo assim, a autorizar os pedidos de empréstimos a favor de docentes. Não pedem ao cliente a apresentação da declaração de rendimentos. Não procuram saber se tem algum crédito num outro lugar. Só dão dinheiro e pronto.
Normalmente, os bancos comerciais não aceitam descontar para além de 30 por cento do salário do cliente para não o sufocar. Que instituições de crédito são essas que não se importam com isso? Como é que descontam a ponto de o professor ficar com apenas 200 a 800 meticais do salário?
Samaria Tovela quase chamou aos professores de maus gestores com o argumento de que o aumento registado em relação à tabela anterior, no âmbito do TSU, deve ser acompanhado por uma melhor gestão dos rendimentos, o que, ao que parece não é o caco. Há, sim, má gestão e, mais do que isso, a falta de responsabilidade partilhada entre a instituição de crédito e o professor.
Há quem fale do professor na política. Ele que, no período eleitoral, exerce as funções de presidente da mesa de assembleia de votos. Figura que é associada à manipulação dos resultados eleitorais, através da viciação de editais a troco de valores irrisórios. Fulanos que preferem comprometer um processo eleitoral só para satisfazer os seus interesses e os de grupo.
Eu prefiro falar do professor como educador. Ele que, por ocasião do seu dia, o 12 de Outubro, não perdeu a oportunidade de se queixar, através da comunicação social, que não está a ter uma devida consideração por parte do Estado e da sociedade em geral, a julgar pelo baixo salário e pela falta de condições de trabalho.
Tem razão quando diz que ganha mal. Realmente, o professor devia ganhar mais do que ganha tendo em conta a sua nobre missão de formar quadros. Houve, sim, algumas melhorias no âmbito do TSU, mas os ordenados continuam aquém do ideal. Isso não está em discussão. Mesmo no passado em que o professor era professor, não ganhava tanto assim.
Infelizmente, o problema não se coloca apenas em relação a Moçambique. Em qualquer parte do mundo, o professor ganha mal. Um amigo meu contou-me que na Austrália ganhava nove dólares por hora como assistente, numa universidade local, e a sua esposa, 14 dólares/ hora, no meio da semana, como empregada de restaurante. Aos fins-de -semana, ela auferia 17 dólares/ hora.
Também não está em discussão o facto de que o professor trabalha em péssimas condições, quer em termos de infra-estruturas (salas de aulas degradadas, aulas dadas debaixo de árvores ou, simplesmente, ao relento), quer do ponto de vista material (falta de giz, livros e carteiras escolares), cuja responsabilidade é do Estado.
Já não digo o mesmo em relação à questão da valorização do professor na sociedade. Aqui há muito que discutir. Se é verdade que o Estado tem a quota-parte desta situação, também é bem verdade que a maior parte da culpa recai sobre o próprio professor. Não merece respeito da sociedade, por exemplo, o professor que dá aulas embriagado.
O que é que se pode esperar, em termos de imagem, de um professor que bebe com os seus alunos nas barracas? Onde entra o Estado ou o governo aqui? O que é que se pode esperar de um professor que namora com as suas alunas?
Antes de atribuir culpa aos outros, o professor tem que saber valorizar-se a si próprio. Não pode esperar o melhor enquanto comportar-se da forma como se comporta. A sociedade não pode ter uma opinião diferente sobre o professor hoje enquanto este continuar na promiscuidade. A envolver-se como se envolve com os alunos.
Por causa desta situação, o professor perdeu completamente o poder sobre o aluno e a autoridade dentro da sala de aulas. Salvo raras excepções, os alunos não respeitam os professores, o que é triste. Estão a colher o que plantaram.
Não merece nenhuma consideração o professor que vende notas. Que troca notas por prazeres sexuais, que aceita que os alunos contribuam, nas sextas-feiras, para o mimar. Como é que um professor desses espera que a sociedade o valorize? Comporte-se.



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