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- Caso das 3,7 toneladas de fentanil abre ferida institucional
Uma das maiores operações de combate ao narcotráfico realizadas nos últimos anos em Moçambique culminou com a apreensão de cerca de 3,7 toneladas de fentanil e denadryl no Aeroporto Internacional de Maputo. A droga sintética, considerada altamente potente e com elevado potencial letal, tinha como destino final a África do Sul e, segundo as autoridades, fazia parte de uma sofisticada rede internacional de tráfico de estupefacientes.
Luísa Muhambe
Durante uma conferência de imprensa realizada no domingo, o porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), Hilário Lole, revelou que a substância ilícita se encontrava acondicionada em 50 caixas contendo 1.500 pacotes, submetidos posteriormente a exames de química forense no Laboratório de Criminalística da corporação.
“A referida droga encontrava-se acondicionada em 50 caixas contendo 30 pacotes, totalizando 1.500 embalagens, e os exames laboratoriais concluíram tratar-se de uma droga sintética com composição de denadryl e fentanil”, explicou.
Segundo o responsável, trata-se de substâncias “extremamente potentes”, capazes de provocar depressão grave do sistema nervoso central, sonolência intensa, confusão mental, insuficiência respiratória e até a morte.
No decurso da operação foram detidos dois indivíduos, um de nacionalidade moçambicana e outro nigeriana, suspeitos de integrarem a rede criminosa transnacional.
De acordo com o SERNIC, a mercadoria chegou ao país disfarçada de suplementos alimentares e multivitaminas, numa alegada tentativa de ludibriar os mecanismos de controlo aduaneiro e facilitar a sua introdução no circuito clandestino.
As investigações revelaram ainda que, embora informações preliminares apontassem para uma proveniência brasileira, o rastreio documental permitiu apurar que a carga foi expedida da Índia para Maputo, com escala em Doha, no Qatar, antes de chegar ao território nacional.
“Tínhamos indicações de que a droga seria proveniente do Brasil. Contudo, o monitoramento efectuado permitiu apurar que a substância foi expedida da Índia para Maputo, com trânsito em Doha”, esclareceu Hilário Lole.
O porta-voz do SERNIC revelou igualmente que os presumíveis autores tentaram recrutar e subornar funcionários das Alfândegas para proceder ao levantamento da carga. No entanto, perante o elevado potencial nocivo da substância e o risco de extravio, a corporação decidiu avançar para a sua apreensão imediata.
AT afasta suspeitas sobre funcionários aduaneiros
Na sequência das declarações do SERNIC, a Autoridade Tributária (AT) veio a público rejeitar categoricamente qualquer facilitação, conivência ou envolvimento directo de funcionários aduaneiros na tentativa de desalfandegamento da carga.
Em comunicado, a instituição sublinhou que os mecanismos internos de fiscalização e integridade permanecem operacionais e que as acções conjuntas entre as diversas entidades de controlo foram precisamente determinantes para impedir a consumação do crime.
“As Alfândegas de Moçambique pautam-se pela legalidade e integridade, não tolerando quaisquer actos que belisquem a segurança nacional ou facilitem o crime organizado transfronteiriço nas nossas fronteiras aduaneiras”, refere a nota da instituição.
A AT informou ainda ter desencadeado um inquérito interno para apurar se houve alguma tentativa de violação dos procedimentos de segurança por parte de elementos isolados, garantindo total colaboração com o Ministério Público e demais autoridades competentes para a responsabilização criminal de qualquer cidadão eventualmente envolvido.
Entretanto, o SERNIC confirmou que o processo segue agora os trâmites legais junto do Ministério Público. Após autorização das autoridades judiciais competentes, a droga apreendida deverá ser destruída, em conformidade com os procedimentos legais, ambientais e de segurança previstos na legislação moçambicana.



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