Músico moçambicano radicado em Londres oferece lanches na Escola de Púnguè

CULTURA
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O rapper moçambicano de Afro-fusão MoYah, radicado no Reino Unido, lançou um programa de lanche escolar que já beneficia 443 alunos da Escola Primária de Púnguè, pequena aldeia rural vizinha ao Parque Nacional da Gorongosa.

Elisio Nuvunga

A iniciativa acontece uma vez por semana e visa melhorar a frequência e o rendimento dos estudantes, ao oferecer “pelo menos uma refeição segura” para crianças cuja rotina inclui longas caminhadas sob sol intenso até salas de aula sem luz eléctrica.

Segundo MoYah, cujo nome civil não foi divulgado, o projecto de “pequenos-almoços” começou em setembro de 2023 atendendo 150 crianças, mas cresceu rapidamente para 443 graças ao apoio da família e amigos.

“No princípio, pagava sozinho, mas com o aumento de número de crianças que começou a frequentar a escola passei a contar com o apoio das minhas irmãs e alguns amigos porque é difícil alguém estudar com fome”, sublinhou.

Para além de combater a desnutrição, a iniciativa busca reduzir a desistência escolar, já que estudos apontam que a nutrição adequada é factor determinante para o aprendizado. “Nenhuma criança deveria passar fome no mundo”, afirma o artista, que defende que a fome é um obstáculo à dignidade e ao desenvolvimento social.

O projecto teve origem após a participação de MoYah no Festival Internacional de Poesia e Artes Performativas – Poetas D’Alma, em Maputo.

Em visita à escola com o seu pai, o rapper encontrou crianças estudando em condições precárias e caminhando quilómetros sem alimentação. “Ver aquelas condições partiu o meu coração. Sabia que precisávamos de agir”, recordou.

O projecto de apoiar a escola com os pequenos-almoços não tem data específica para o seu término, aliás, “é um projecto contínuo. Ele (o projecto) irá até onde os fundos permitirem com a clara ajuda de todos”, disse, acrescentando que “ainda há muitos projectos para beneficiar a sociedade moçambicana, especialmente as classes mas vulneráveis que também se devem formar”.

Recentemente, o rapper e o seu pai construíram uma mesquita para encurtar longas distâncias da população que percorre quilómetros para fins religiosos.

“A mesquita veio para ajudar o meu povo que percorre longas distâncias a caminho da mesquita. Como sabe, nas zonas recônditas há falta de transporte, e por conta disso, as pessoas daqui não tinham outra hipótese, se não percorrer longas distãncias para chegar à mesquita que é bem longe daqui”, explicou MoYah.

Refugiado em Lisboa, Portugal, durante a guerra civil moçambicana, MoYah construiu carreira internacional e hoje vive em Inglaterra. Foi também o primeiro Rapper moçambicano a participar do Festival da Canção de Lisboa. Agora, ele faz um apelo a parceiros: “Juntos, podemos transformar mais vidas e garantir que toda criança tenha acesso à educação e à nutrição que merece”.

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