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Mesmo depois de o Governo ter garantido a existência de combustível suficiente para abastecer o país durante os próximos seis meses, continuam a registar-se longas filas e escassez de combustíveis em várias bombas, situação que está a impulsionar o mercado informal e a especulação de preços, configurando-se numa espécie de “punição colectiva”.
Jossias Sixpence, Beira
Quando se esperava que a situação podia se norma lizar após a recente subida dos preços dos combustíveis anunciada pelo Executivo, parece que, nalguns pontos do País, a crise agravou-se. Em várias cidades, sobretudo na Beira, automobilistas denunciam dificuldades para abastecer, enquanto o mesmo combustível é comercializado clandestinamente em esquinas e pontos informais a preços que variam entre 150 e 300 meticais por litro.
As dúvidas em torno da real disponibilidade de combustível aumentaram depois da visita do secretário de Estado à província de Sofala a algumas gasolineiras, tendo assegurado que existiam reservas suficientes para vários meses. Apesar disso, a escassez mantém-se.
O docente universitário e analista político, José Sebastião Capassura, considera que a actual situação ultrapassa uma simples crise de abastecimento e configura uma “punição colectiva” aos consumidores.
“Há combustível, mas há também uma gestão artificial da escassez”, sustenta o analista, defendendo que parte do problema resulta de práticas especulativas dentro da cadeia de distribuição.
Segundo Capassura, o conflito no Médio Oriente poderá ter contribuído para alguma instabilidade no mercado internacional do petróleo, mas rejeita que essa seja a principal causa da crise vivida em Moçambique.
“O conflito internacional pode ter precipitado algum desequilíbrio no mercado petrolífero, mas atribuir toda a crise a esse factor seria um insulto à inteligência dos cidadãos”, afirmou.
O analista entende que a crise está a ser “fabricada” através da retenção e desvio de combustível para circuitos paralelos, incluindo exportações informais para países vizinhos, como o Zimbabwe, onde os preços dos combustíveis dispararam nas últimas semanas.
Segundo denúncias recolhidas pelo Evidências, algumas gasolineiras estariam a restringir a venda normal ao público, privilegiando intermediários, vulgarmente conhecidos por “nhonguistas”, que posteriormente revendem o produto a preços muito superiores aos oficiais.
Capassura admite que uma subida dos preços dos combustíveis pode ser inevitável devido ao aumento do preço do petróleo bruto no mercado internacional. Contudo, alerta que tal aumento não deve servir de justificação para práticas especulativas e manipulação do mercado interno.
“A visita relâmpago do Secretário de Estado demonstrou que existe combustível suficiente para abastecer o mercado interno sem necessidade de alimentar o mercado paralelo”, observou.
Perante o cenário, o analista defende uma intervenção mais firme do Governo contra operadores envolvidos em práticas especulativas, argumentando que o Estado deve reforçar a fiscalização nos terminais e postos de abastecimento para travar o desvio de combustíveis e proteger os consumidores.



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