Relatório global destaca progresso de Moçambique no combate à fome apesar de níveis ainda considerados graves

SOCIEDADE
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  • O País surge ao lado de países como Ruanda, Togo e Uganda
  • Pelo menos 56 países não conseguirão alcançar níveis baixos de fome até 2030

Moçambique aparece entre os países que mais progressos registaram na redução da fome desde 2016, segundo o relatório “Global Hunger Index 2025”, divulgado esta semana por organizações internacionais especializadas em segurança alimentar. O documento coloca o país no grupo das nações que conseguiram reduzir significativamente os indicadores de subnutrição, ainda que a situação continue classificada como “grave”.  De acordo com o índice, Moçambique alcançou uma pontuação de 25,9 pontos em 2025, contra 36,4 em 2016 e 46,8 em 2000, evidenciando uma trajectória de melhoria gradual ao longo das últimas duas décadas. Apesar disso, o país continua inserido na categoria de fome “grave”, reservada para pontuações entre 20 e 34,9 pontos. 

Evidências

O relatório sublinha que Moçambique surge ao lado de países como Ruanda, Somália, Togo e Uganda entre os exemplos mais relevantes de redução da fome desde 2016, resultado que os autores associam à implementação de políticas direccionadas e investimentos sustentados no sector alimentar e social.

Ainda assim, o documento alerta que os ganhos permanecem frágeis, sobretudo devido à vulnerabilidade provocada por choques climáticos, conflitos armados e dificuldades económicas que continuam a afectar vários países africanos. No caso moçambicano, os desafios incluem eventos climáticos extremos recorrentes, insegurança em Cabo Delgado e limitações estruturais nos sistemas de produção agrícola e distribuição alimentar.

O “Global Hunger Index 2025” refere que o progresso global no combate à fome praticamente estagnou desde 2016. A pontuação global passou apenas de 19,0 em 2016 para 18,3 em 2025, mantendo-se na categoria “moderada”. Os autores alertam que, ao ritmo actual, pelo menos 56 países não conseguirão alcançar níveis baixos de fome até 2030, tornando praticamente impossível atingir a meta global de “Fome Zero” dentro do prazo previsto pelas Nações Unidas.

Segundo o documento, a crise climática, os conflitos armados e a redução do financiamento humanitário estão entre os principais factores que travam os avanços registados nas últimas décadas. O relatório aponta ainda que 42 países continuam em situação “grave” ou “alarmante”, sendo que sete apresentam níveis classificados como “alarmantes”, entre eles Somália, Sudão do Sul, República Democrática do Congo e Madagáscar.

Na África Subsaariana, região onde Moçambique está inserido, os indicadores continuam entre os mais preocupantes do mundo. A região apresenta uma pontuação média de 27,8 pontos no índice de 2025, considerada “grave”, embora abaixo dos 40,8 registados em 2000.

O índice é calculado com base em quatro indicadores. Nomeadamente a subnutrição da população, atraso de crescimento infantil, desnutrição aguda infantil e mortalidade infantil. O estudo utilizou dados recolhidos entre 2020 e 2024 por instituições como a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), UNICEF, Organização Mundial da Saúde e Banco Mundial.

Os autores defendem que os países devem reforçar políticas de protecção social, agricultura resiliente às mudanças climáticas e mecanismos locais de resposta rápida à insegurança alimentar. O relatório recomenda ainda maior compromisso político dos governos, com envolvimento directo dos chefes de Estado e criação de mecanismos de responsabilização na implementação de políticas de combate à fome.

Outra recomendação central é o aumento do financiamento para programas de segurança alimentar e nutrição, num contexto em que, segundo o estudo, o apoio humanitário internacional tem vindo a diminuir ao mesmo tempo que as despesas militares aumentam em várias partes do mundo.

O relatório recorda ainda que o combate à fome exige abordagens multissectoriais, incluindo acesso à saúde, educação, água, saneamento e protecção social. Especialistas citados no documento defendem que o sucesso depende não apenas de crescimento económico, mas também da capacidade dos governos de transformar políticas públicas em acções concretas ao nível local.

Embora Moçambique seja apontado como um exemplo de progresso relativo no contexto africano, o estudo deixa claro que a redução sustentável da fome dependerá da capacidade do país de consolidar estabilidade, fortalecer sistemas agrícolas e responder às ameaças crescentes das mudanças climáticas e dos conflitos.

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