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A antiga ministra da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos e ex-vice-ministra do Interior, Helena Mateus Kida, lançou na semana finda, a iniciativa “Mulher para Mulher – Espaço de Escuta e (Re)Significação das Dores Emocionais”, um projecto que visa criar um ambiente seguro para acolher mulheres, promover a saúde mental e fortalecer a sua autonomia.
A iniciativa surge numa altura em que a saúde mental e o bem-estar das mulheres continuam a representar um desafio em Moçambique. Segundo dados citados pela organização, uma em cada três mulheres já sofreu algum tipo de violência física ou psicológica, enquanto muitas continuam sem acesso a apoio psicológico, jurídico, médico e económico, sobretudo nas zonas suburbanas e rurais.
Durante o lançamento, Helena Kida explicou que o projecto pretende funcionar como um movimento de cura emocional no feminino, aberto a todas as mulheres, independentemente da idade, condição social, raça ou formação académica.
“Não é um movimento político nem religioso. É um espaço de cura, onde as mulheres podem sentar, conversar, partilhar as suas histórias, compreender que não estão sozinhas e encontrar caminhos para superar os seus desafios”, afirmou.
A mentora destacou que o projecto contará com o apoio de uma equipa multidisciplinar composta por psicólogos, médicos, juristas e economistas, reconhecendo que os problemas enfrentados pelas mulheres são diversos e exigem respostas integradas.
Além do acolhimento emocional, a iniciativa prevê oferecer orientação jurídica, assistência médica e financeira gratuita, promover oficinas de empoderamento económico e geração de renda, reduzir o isolamento social e encaminhar casos mais complexos para instituições do Estado e organizações parceiras.
Apesar de arrancar na cidade de Maputo, Helena Kida revelou que o objectivo é expandir o projecto para todas as províncias do país.
“Temos de começar por algum lugar. Queremos abraçar mulheres de todo o território nacional e, no futuro, até as moçambicanas que vivem no estrangeiro”, afirmou.
Por seu turno, a psicóloga Ana Pimenta considerou que o projecto representa uma oportunidade para as mulheres encontrarem um espaço seguro de partilha.
“Será um espaço de cura onde cada mulher poderá falar sobre os seus traumas, a maternidade, os relacionamentos e os desafios profissionais. Vamos aprender muito com as experiências umas das outras”, disse.
Também o psicólogo Augusto Guambe defendeu que muitas mulheres vivem o sofrimento em silêncio devido aos múltiplos papéis que desempenham na sociedade.
“As mulheres são mães, esposas, profissionais e cuidadoras. Muitas vezes não encontram momentos para falar sobre as suas dores. Este espaço permitirá ressignificar essas experiências e fortalecer a saúde emocional”
Nos primeiros seis meses de implementação, a organização espera acolher mais de 200 mulheres, reduzir situações de isolamento e sofrimento emocional, aumentar o conhecimento sobre direitos e proporcionar ferramentas para a autonomia económica das participantes.



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